sábado, 4 de outubro de 2014

PAI DEVE SER PAI OU O MELHOR AMIGO

Pai tem que ser pai e não o melhor amigo do filho

Os dias dos pais está próximo, as lojas, semanas antes do dia comemorativo já colocam as propagandas que apelam para a figura do paizão amigo. Ele veste as mesmas roupas do filho, ouve as mesmas música, sai para os mesmo lugares. Mas, na realidade, para ser um bom pai, é preciso fugir desse exemplo do mundo da fantasia.
“Pai é pai, amigo é amigo. Amigos a gente encontra fora de casa. Pai não. E se a gente não tem um pai dentro de casa, onde mais vamos ter?”, analisa a psicóloga e mestre em Psicologia Social pela USP, Angelita Corrêa Scárdua.
O problema está nos pais que querem ser modernos e ficam perdidos na hora de fazer valer a autoridade paterna. “O amigo não cobra, não exige. O pai precisa fazer isso”. “O pai que bebe com o filho no bar e sai com ele de carro, como um amigo, está sendo um péssimo exemplo”.
Nunca tente forçar uma relação de cumplicidade igual à que os filhos têm com os melhores amigos.Pais vocês podem ter outro escorregão. Segundo a psicólogia, se tornar adulto é ter um universo particular. “Esse universo nos desafia emocionalmente e precisamos aprender a gerenciá-lo sozinhos”. Claro que os pais devem ter um diálogo aberto com os filhos e orientá-los, mas sem fazer de cada conversa um confessionário.
“Há quem se sinta inseguro com estas exigências e se pergunte qual pai deve ser, afinal. Ser um ‘pai durão’ parece incompatível com o ‘paizão amigo’, mas não é”, tranqüiliza a terapeuta familiar Maria Aparecida Crepaldi, que estudou a participação do pai nas famílias modernas.
Segundo ela, ambos os tipos de pai são necessários e muito bem-vindos para os filhos. O “pai durão” não precisa ser autoritário, mas deve preservar sua autoridade, porque as crianças precisam de limites para aprender a conviver socialmente.
“Não precisa ser um limite coercitivo e violento, mas consistente. Mesmos as crianças muito pequenas estão abertas e são capazes de, à sua maneira, ter uma boa conversa”.
O “pai” é aquele que brinca e que está presente nas horas que o filho precisa de apoio e incentivo. Estudos mostram que a brincadeira com o pai ajuda na modulação da agressividade da criança e na abertura do filho para o mundo.
Não seja “amigos” do seu filho… seja PAI!
Os pais permissivos são os pais “amiguinhos”: esses pais oferecem poucas regras e limites, dão muito afeto e se envolvem bastante na vida dos filhos. Representam 15% dos pais, sentem-se frequentemente sobrecarregados e, assim, cedem com facilidade aos pedidos e chantagens.
É muito mais fácil ser amigo, aceitar tudo, rir de tudo e minimizar as consequências de certos atos, dizendo que “tudo é normal”, que tudo que se faz de errado “é coisa de adolescente”. É mais fácil passar a mão na cabeça dos filhos do que ser pai ou mãe de verdade. Alguns pais dizem: você foi jovem já fez a mesma desfeita com seus pais, compreenda! Errado! Não é porque erramos com os nossos pais vamos aceitar grosserias e desrespeito.
Aqui temos de pensar no significado das palavras “fácil” e “difícil”. A ideia de que “ser amigo é mais fácil” serve a quem? Ao pai, à mãe. Afinal, com essa postura, praticamente cessa o estresse deles, cessam as cobranças, as broncas, a necessidade de orientação e presença.
Os pais devem pensar nas consequências dos sins e nãos, de estarem presentes ou de se ausentarem, de serem pais de verdade ou escolherem ser apenas amiguinhos. Na dúvida, é melhor ser pai e mãe do que amigo, pois estes os filhos têm aos montes na escola.


                                 Jose Valter Rodrigues Lima
Psicanalista Clinico e Mestre Psicanalise Aplicada á Saude e a Educação