segunda-feira, 3 de novembro de 2014

CULPA E PREOCUPAÇÂO


"Conhecemos assim as duas origens do sentimento de culpa; uma que surge do medo da autoridade, e outra, posterior, que surge do medo do superego. A primeira insiste numa renúncia às satisfação instintiva; a segunda, ao mesmo tempo em que faz isso, exige punição, uma vez que a continuação dos desejos proibidos não pode ser escondido do superego" Freud, S , p.179

          Para Freud, o medo da autoridade externa corresponde ao medo que os filhos sentem do pai. A renúncia que realizam se converte em fonte de consciência direcionada para o nascimento do homem racional. Mas quando se trata do medo do superego, que é uma autoridade interna, apenas a renúncia não é suficiente, pois o desejo continua vivo e não pode ser escondido do superego. Ou seja, essa renúncia é incapaz de libertar do sentimento de culpa que persiste , que é consequência do desejo proibido, tornado- se fonte permanente  de sofrimento. No livro ego e ide, Freud nos fala de pessoas que se comporta de uma maneira muito peculiar a análise. Quando é dada alguma esperança de cura a esses pacientes, espera-se que haja uma melhora, mas eles se mostram descontente e seu estado se torna pior. Chega-se à conclusão de que esses indivíduos, além de não suportarem qualquer elogio, reagem inversamente ao progresso do tratamento, seus sintomas se acentuam e suas moléstias pioram, ao invés de melhorarem. Esse fenômeno foi nomeado por Freud com reação terapêutica negativa.

"Ao final, percebemos que estamos tratando com o que pode ser chamado de fator moral, um sentimento de culpa que está encontrando sua satisfação na doença e se recusa a abandonar a punição do sofrimento. Devemos estar certos em encarar esta explicação desencorajadora como final" Freud, S, p.62.

      O sentimento de culpa se expressa, pois, como uma resistência do paciente a cura, cuja superação é extremamente difícil, dada a inviabilidade de se convencer o paciente de que é o seu sentimento de culpa que o torna enfermo. O paciente de Freud, em sua reação terapêutica negativa, pode ser analogamente comparada aos indivíduos comuns na sociedade de massas contemporânea, que tem seus sentimentos de culpa exacerbado pelas exigências que lhe são imposta pela sociedade.

      Ao examinar este ponto culpa e também a preocupação,  dois pontos fracos, que você tem, você começará percebendo o quanto eles estão ligados; de fato, podem ser encarados como os dois eixos da mesma zona. Ou seja, a culpa quer dizer que você inconscientemente você não que sair dele, logo tem comportamento passado, enquanto a preocupação é o estratagema que o mantém imobilizado no presente em função de alguma coisa futura - quase sempre alguma coisa a qual não tem controle. Pode-se ver  isso claramente ao tentar pensar em si próprio sentindo-se culpado   de uma acontecimento que ainda deve ocorrer, ou preocupando-se com algo que já aconteceu. 
Embora uma reação vise ao futuro e a outra ao passado, ambos  servem ao propósito idêntico de manter a pessoa aborrecida ou inerte no seu momento presente.

       Você vê exemplo de culpa e preocupação por toda parte, praticamente em todas pessoas. O mundo está cheio de gente que se sente muito mal quando algo que não deveria ter feito, ou apavorada com o que pode ou não acontecer. Você, provavelmente, não é uma exceção. Se tem grandes zonas de preocupação e culpa, elas devem ser exterminada, desinfetadas e esterizadas para sempre. Elimine de uma vez esses percevejozinhos de preocupação e de culpa que infestam tantas áreas da sua vida.
       Culpa e preocupações representam, talvez, as formas mais comuns de angústia em nossa cultura. Com culpa, você focaliza um fato passado, e como consequência deprime-se ou muitas vezes fica irritado em função de algo que fez ou disse, e estraga seus momentos presentes ocupado com sentimentos que dizem respeito a um comportamento anterior. Com a preocupação, você gasta a toa esse precioso momento de agora obcecado por um evento futuro. Quer esteja olhando para traz, quer olhando para frente, o resultado é o mesmo. Esta jogando fora o momento presente.

Não é a experiência de hoje que enlouquece os homens. É o remorso por algo que aconteceu ontem( Culpa), e o temor do que o amanhã pode revelar( ansiedade) .


passado_culpa__________________presente_________________ansiedade_futuro


Referências bibliográficas

Freud, S. Obras psicológicas completas de Freud, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. Além do princípio de o prazer, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. O ego e o Ide, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. Psicologia de grupo e análise do ego, Tradução Jaime Salomao  Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. O mal estar da civilização, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996



                     Jose Valter Rodrigues Lima
Psicanalista Clinico e Mestre Psicanalise Aplicada à Saude e a Educação