segunda-feira, 1 de março de 2021

Aceita que dói menos

 

Aceita que dói menos - Como aceitar situações desagradáveis.

 

A vida é marcada por mudanças, e elas ocorrem o tempo todo. Algumas são datadas, como o resultado da eleição do novo presidente da República. Outras, podem acontecer de uma hora para a outra, como a perda de um emprego ou o fim de um relacionamento. O impacto destas transformações depende mais da pessoa que as sente do que necessariamente do fato ocorrido. É comum ouvir a frase “aceita que dói menos”, mas será que a aceitação diminui realmente a dor?

— A dor da frustração e da perda é inerente ao fato. A aceitação parte de um processo de reconhecimento de que aconteceu o que poderia ter acontecido. A dor diminui quando não há conflito com a aceitação e ao enxergar pontos positivos no fato ocorrido. Voltar a mente e a atenção para esses pontos podem aliviar a dor — afirma Juliana Sato, psicóloga da clínica Nutrindo Ideais. 

A maturidade emocional é o maior aliado da aceitação diante de situações adversas. É preciso entender que negar aquele acontecimento não vai trazer nada de bom. Pelo contrário: pode piorar ainda mais a ocasião. 

— Quando a pessoa não aceita determinada situação, a mudança se torna pesada, dolorosa, sofrida, revoltante, motivo para sentir culpa, em vez de ser uma mola propulsora para se manter motivado a realizar. Ao invés de usar a energia para superar aquele fato e avançar, a pessoa gasta a energia se lamentando — explica Paula Emerick, neuropsióloga e fundadora da Solace Institute.

Aceitar uma mudança não significa deixar de sofrer imediatamente. Toda perda ou frustração tem seu “tempo de luto” que precisa ser vivido. Fingir que não dói não ajuda em nada: só faz você se enganar. 

— Quando algo não está sob nosso controle, a aceitação é o primeiro passo para que a pessoa consiga perceber que, a partir de agora, algo mudou e que ela precisará se reinventar. Porém, isso não significa que não haverá sofrimento. Pelo contrário. O luto é necessário para a recuperação, para que pessoa consiga, aos poucos, retornar o equilíbrio emocional. Mas, para que esse luto possa ser vivido, é preciso aceitar a perda — indica Ana Paula Dias, psicóloga que atende pela plataforma Vittude

É preciso atentar para linha tênue que existe entre a aceitação e o conformismo — atitude de aceitar uma situação desfavorável ou incômoda passivamente. Para saber de que lado você está, o caminho é avaliar os impactos emocionais causados pela mudança. 

— Se a minha aceitação está gerando sentimentos negativos, eu estou me conformando, porque me mantenho em uma situação que acredito que não possa ser modificada. Isto pode acontecer com quem tem a autoestima baixa, senso de incapacidade ou não merecimento muito forte — diz Paula Emerick. 

Entender que mudanças fazem parte da vida e que todos vão passar por isso pode ser uma maneira de aliviar as dores que as transformações trazem. 

— Todo mundo passa por situações difíceis na vida, não tem como escapar. As dores e as dificuldades fazem parte da vida e precisamos ter uma capacidade interna para poder superá-las — finaliza Marcia Ganime, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio (SBPRJ).

 

Como melhorar

Entenda que nem tudo é como você quer 

Frustrações acontecem com todas as pessoas. Nem sempre as situações ocorrem como foram desejadas. Você não tem o controle de tudo. Portanto, não se puna por causa disso

 

Liste aquilo que você não aceita 

Às vezes, convivemos com situações que não aceitamos, como, por exemplo, a maneira que as pessoas nos tratam. Por outras vezes, somos surpreendidos por mudanças que são difíceis de aceitar. Faça uma lista de tudo aquilo que você não quer aceitar. Se forem muitos tópicos, separe por áreas, como "família" e "vida profissional"

Busque soluções

Ao lado de cada "não aceitação", escreva uma possível solução, algo que você poderia fazer para passar a aceitar aquela situação ou para mudá-la e deixá-la de uma maneira "aceitável" para você

Parta para a ação 

Depois de pensar em soluções, coloque-as em prática! Só assim você vai conseguir aceitar melhor os aspectos da sua vida que mais lhe incomodam

Invista em sua autoestima

Quando nos deparamos com situações que são difíceis de aceitar, normalmente ficamos com a autoestima abalada. Separe um tempo para cuidar de você, foque nas suas qualidades e faça atividades que gerem prazer para você

Procure o lado bom da situação

Este exercício é duro, mas fundamental para a aceitação. Tente olhar para o fato com uma visão positiva. Na pior das hipóteses, valerá de aprendizado 

Compartilhe com alguém 

Não guarde apenas para você o sentimento de não aceitação. Compartilhe com pessoas de sua confiança sobre a situação que está lhe fazendo mal e peça conselhos sobre o que fazer 


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Constelações Familiares - As ordens da Ajuda

As ordens da AJUDA


 “O amor preenche o que a ordem abarca. O amor é a água a ordem é o jarro. A ordem ajunta, o amor ui. Ordem e Amor atuam juntos.” Com esta frase de Bert Hellinger, o pai das Constelações Familiares, abrirmos esse conteúdo, pois ela servirá de inspiração para o que vamos aprender daqui em diante. Vamos aqui compreender como ajudar a ajudar sem prejudicar a pessoa que será assistida. Esta é exatamente uma das principais preocupações de Hellinger ao escrever o livro – As Ordens da Ajuda, onde o psicoterapeuta alemão compartilha suas experiências e os pressupostos do que é auxiliar alguém sem prejudicar a figura daquele que precisa ser ajudado. Muitas vezes, no afã de colaborar com a melhoria e evolução do outro, nos colocamos em posições nem sempre assertivas, favoráveis ou confortáveis para quem recebe o auxílio. É preciso, então, criar um ambiente seguro e de confiança, onde cada um sinta- se acolhido, apreciado, amado e não julgado por ser quem é. 

Por isso mesmo, como coaches, terapeutas ou consteladores familiares, como profissionais que dedicam sua vida ao desenvolvimento humano, nós temos que estar profundamente atentos à forma como abordamos cada pessoa que por nós será auxiliada. Devemos sempre nos lembrar de que cada indivíduo é dono de si e responsável por seu caminho e, que por mais que esteja passando por um momento conturbado, ela sempre será a protagonista de sua própria história. 
Ao entender isso, exercitamos o respeito e evitamos que até mesmo uma intenção positiva se converta em algo desastroso para quem recebe algum tipo de amparo. Nesta relação de ajudador e ajudado é importante compreender que embora sejamos uma espécie de luz em seu caminho, apenas o outro é quem pode caminhá-lo. Do mesmo modo, quem ajuda deve iluminar sua mente no sentido de traçar seu próprio destino e de ter autonomia para seguir na direção que melhor lhe convier. Muitas vezes, quando estamos na posição daquele profissional que ajuda os outros, nem sempre compreendemos, com clareza, como até mesmo este ato, por melhor intenção que tenha, possui os seus próprios limites também. Para que esta linha tão tênue não seja ultrapassada, vamos conhecer quais são as cinco ordens que devem ser sempre respeitadas na relação entre quem ajuda e quem é ajudado. 

Primeira Ordem da Ajuda  

Tomar para si apenas o necessário e dar apenas aquilo que se tem. O equilíbrio é a chave tanto para quem doa quanto para quem recebe. Por isso, o caminho do meio nesta relação de assistência, não é ter nem demais e nem de menos. Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos: 

1. Desejar doar aquilo que não possui.

2. Desejar mais do que aquilo que necessita.

3. Ter expectativas e fazer exigências que o outro não pode atender.

4. Desatribuir a pessoa de responsabilidades que são apenas dela. 

Estamos falando de humildade para compreender os próprios limites e, inclusive, para recuar em determinados momentos quando o auxílio pode se configurar em algo danoso a si e ao outro. Esta ajuda humilde traz uma consciência maior sobre até onde podemos ir e nos empele a tomarmos decisões que mais adiante podem evitar confliitos entre ajudador e ajudado.

 Segunda Ordem da Ajuda

Saber compreender o contexto da situação é a chave para reconhecer seus próprios limites e também para ter a humildade de não avançá-los ainda que seu ego deseje isso. Ao reconhecer as circunstâncias e analisar com clareza suas possibilidades de ação, o ajudador, mesmo que discretamente, pode fazer o seu melhor apenas com os recursos que dispõe e nada mais. Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos: 

1. Ignorar ou mesmo ocultar a natureza real das circunstâncias.

2. Insistir em ajudar e acabar prejudicado tanto o auxiliado como a si. 

Portanto, é preciso compreender quando é hora de agir ou de se retirar e aceitar com humildade e sabedoria que a vida possui seus próprios desígnios. Ir contra isso é uma grande perda de tempo. 

Terceira Ordem da Ajuda

Posicione-se diante de seu ajudado sempre de pessoa adulta para pessoa adulta. Empodere-o de modo que perceba que é o autor de sua história e responsável por suas escolhas, erros, acertos e conquistas. Para isso, jamais tente ocupar papéis que não são seus para que ele se sinta melhor. Ainda que queira muito ajudar, posicione-se sempre de maneira adulta e madura. Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos: 

1. Consentir pedidos infantis e fazer concessões neste senfido. 

2. Acabar tratando o cliente como uma criança e não como o adulto que é. 

3. Evitar que o cliente assuma deveres e responsabilidades por seus atos. 

Para evitar estes problemas é essencial que aquele que está no papel de ajudador trate o cliente sempre como o adulto que é, de modo que este reconheça seu potencial, perceba a necessidade de mudança e trabalhe, de forma madura e consciente, no sentido de alcançá-la. 

Quarta Ordem da Ajuda 

É preciso olhar para o cliente de forma sistêmica e não isolada, ou seja, considerando suas relações e todos aqueles que estão ao seu redor, em especial, a figura dos seus pais. Estes, por sua vez, também devem ser acolhidos e amparados com o mesmo respeito, não julgamento e compaixão que o cliente. Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos: 

1. Desprezar e desconsiderar membros importantes do clã familiar. 

2. Ignorar um parente afastado da família que pode ser a solução para, enfim, resolver a queixa do cliente. 

3. Ignorar os comportamentos infantis do cliente e, assim, limitar o desenvolvimento e empoderamento necessário ao seu crescimento. 

4. Limitar sua visão, não perceber algo maior por traz da história do cliente e simplesmente aceitar isso sem questionar. 

Portanto, é essencial envolver todos os familiares que estão diretamente relacionados ao cliente, de modo que o ajudador/terapeuta consiga ter uma visão sistêmica e mais apurada sobre a questão e assim possa ter mais ferramentas para ajudá-lo a resolver definitivamente seu problema. 

Quinta Ordem da Ajuda 

Honrar e respeitar a história de cada pessoa; amar esta sem reservas e como ela é na essência e, buscar compreender e aceitar os desígnios da sua vida, o seu destino. Assumir esta postura ajuda o terapeuta a enxergar melhor a natureza da queixa do cliente sob o viés daqueles que convivem diretamente com ele. Também auxilia a que tenha novas perspectivas do problema que ajudem o cliente a enfrentar suas dificuldades e solucioná-las de vez. Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos: 

1. Julgamentos constantes. 

2. Crítica e reprovação. 

3. Desprezo moral. 

Ter este tipo de postura diante do cliente faz com que o ajudador acabe por minar o seu processo de desenvolvimento e, consequentemente, a eliminação do seu problema. Isso porque os julgamentos e crítcas acabam sendo um impeditivo a que o terapeuta realmente possa ajudá- lo a sanar sua queixa e, enfim, encontrar a confiança e o empoderamento que precisa. Quando isso acontece, o cliente acaba por remoer sua questão pendente e se vê sem forças para seguir em frente.  

Quando temos uma missão que tem como foco apoiar o outro em seu processo evolutivo, muitas vezes, podemos acabar ignorando que em determinados momentos nosso recuo é importante para que haja uma ação do cliente, para que outras forças que não compreendemos totalmente possam agir e a vida possa finalmente seguir o seu curso. No que tange a cada um de nós é importante sempre buscar servir com respeito, amor, não julgamento, paciência e compaixão e agir da melhor maneira possível para que possamos construir uma relação posi va e equilibrada entre nós, que ajudamos, e aqueles que por nós são ajudados. 

Por fim, assim como começamos, encerraremos como mais um brilhante ensinamento de Bert Hellinger, o mestre da Constelação Familiar e que tem sempre muito a nos ensinar sobre nosso papel como ajudadores, terapeutas, seu poder e, especialmente, os seus limites. Procure sempre lembrar-se disso e colocar as cinco Ordens da Ajuda em prática em seus atendimentos e, claro, em sua vida. “Como ajudantes, temos a ideia de que devemos, a qualquer preço, manter uma pessoa viva e ajudá-la a ter uma vida feliz. Entretanto, ela está entregue a outras forças, diante das quais nossos esforços fracassam. Ao invés de nos vermos apenas diante da pessoa que busca ou necessita da nossa ajuda, olhamos para além dela. De repente, sentimos que há outras forças em ação, que são maiores que nós. Aí nos acalmamos. Muitas vezes, também conseguimos olhar de outra maneira para a criança, sem preocupações.”

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Constelações Familiares - Comportamentos Recorrentes

Comportamentos recorrentes

São 5 os comportamentos recorrentes (isto é, que sempre ocorrem nas relações familiares e que aparecem reproduzidos numa constelação), de acordo com Bert Hellinger.
Compreender os comportamentos recorrentes é idemficar que:

- Existem práticas reiteradas, que as pessoas repetem nas suas formas de compreender e se relacionar;
Frequentemente estamos sujeitos à essa ação do nosso inconsciente, uma vez percebida essa situação, com o tempo, podemos nos colocar em harmonia sistêmica.

Emaranhamento

Quando algo acontece e não é completamente processado dentro de um sistema, há a possibilidade de que outra pessoa dessa família reviva a situação de forma a trazer para um movimento de solução.
Essa identificação geralmente ocorre de forma inconsciente, o que ocasiona dificuldades para a pessoa que revive o problema e para todo o sistema.

Por exemplo, o sofrimento de um avô pode ser revivido por um neto. Isso pode não ser de forma direta: o sofrimento pode ser de outro  tipo, exatamente por ser inconsciente.

O jovem perguntou: ‘Que devo fazer, para me tornar o que você foi?’ O Velho respondeu: ‘Seja’!
(Provérbio oriental)

Esta é uma mensagem que pode nos trazer diversas reflexões, embora pareça bem simples. O velho, com sua sabedoria da vida, responde ao jovem que ele apenas deve ser. Mas nem sempre é tão simples quanto parece. Ser o que somos, de forma real e autêntica, pode ser mais dificil do que se imagina.
Além disso, é necessário ter em mente que o desejo do jovem é ser o que o Velho foi. Nesse contexto, a autenticidade do jovem deve ser ofuscada para que aquilo que o outro foi seja replicado.
Nesse contexto, é fundamental que possamos ser o que somos. Se você passar a vida toda tentando ser o que seus pais foram ou o que alguém quer que você seja, não será nem uma coisa nem outra.
Apenas seja. Seja você mesmo.

2. Tomar

A constelação traz a importância de se tomar o que  flui da nossa rede familiar, como os pais, por exemplo. Tomar significa o movimento solidário de querer tomar para si os benefícios e as dores de um sistema familiar. A ação de tomar é que estabelece a conexão entre os membros.

3. Amor à beira do precipício

“Os pais dão aos  filhos aquilo que eles próprios são”
Bert Hellinger

Por amor ao nosso sistema, muitas vezes repetimos dificuldades e histórias de nossa família. Via de regra, nós o fazemos sem reconhecer isso. O papel do constelador é interpretar essas relações e ver os cenários em que o amor extremo está colocando os membros (especialmente aquele que “ama”) a uma condição de beira do precipício, nas palavras de Hellinger.
Isso acontece em uma tentativa inconsciente de reviver e resolver o problema de outros integrantes de nosso sistema. Esse amor infantil, que não percebe a diferença entre “eu” e “outro”, muitas vezes nos coloca em perigo pela simples identificação do amor.

4. Aceitação

A aceitação consiste em ver a realidade e lidar com ela.
A noção de respeitar a hierarquia é uma forma de aceitação. A noção de evitar um amor à beira do precipício, também.
Muitas dores são superadas quando se compreendem suas origem e se identifica o que pode o que não pode ser feito para alterar o contexto.
Algumas vezes, a dor desaparece com o constelado assumindo para si a responsabilidade de resolver um problema (ou, ao menos, vê-lo de outra forma); outras vezes, a dor desaparece quando o constelado identifica que as causas dos problemas vão além de suas forças.

“Quem recuar diante da realidade como ela é por ter o desejo interno de que ela fosse diferente, enfraquece”
(Bert Hellinger)

Esta mensagem nos leva a refletir a respeito daquilo que queremos que seja a realidade. Ela nem sempre será aquilo que gostaríamos ou supúnhamos. Contudo, devemos aceitá-la como ela é, pois caso contrário, vamos  ficar mais fracos.
O importante é enfrentar a realidade tal qual ela se apresenta e não passar a vida toda lamentando a forma como ela é. Assim, ao enfrentarmos a vida tal qual ela se mostra, estaremos encarando os problemas de frente e buscando soluções para ele. Com certeza essa é uma postura muito mais produtiva do que apenas  ficar se lamentando.

5. Honrar

A honra a outras pessoas do sistema está em reconhecer o papel de cada um para que a vida fosse passada adiante.
Respeitosamente nos curvamos, mostrando nosso tamanho menor e agradecimento ante aquele que nos precedeu

“De nossos pais temos tudo: O que somos e o que nos falta”
(Bert Hellinger)

Esta mensagem realça a importância que nossos pais têm em nossa vida e como deles herdamos grande parte do que somos. Assim, é através do que eles nos dão ou também da falta do que nos deveriam ter dado que formamos nosso caráter e nossa personalidade.
Assim, aquilo que temos e também aquilo que falta em nós, é um produto dos nossos pais. Daquilo que eles nos deram ou não. Nesse contexto, se vê a importância fundamental dos nossos pais na nossa vida como um todo e não apenas na infância.

Constelação familiares - As Três leis do Amor

As três leis fundamentais

O trabalho das Constelações familiares foi estruturado por "Bert Hellinger" em três leis fundamentais. Graças a elas, é possível manter a harmonia nas relações, garantindo um bom convívio entre os membros. A quebra delas resulta em alguns conflitos que o indivíduo enfrenta em sua vida, sendo necessário revisitar a história familiar. São elas:

1. Ordem

A hierarquia é um ponto fundamental no campo familiar. Segundo ela, os mais velhos têm maior relevância que os mais novos, cabendo aos últimos respeito aos seus ancestrais. Contudo, em contrapartida, os primeiros devem ensinar e educar a nova geração. Ainda assim, nenhuma posição deve ser supervalorizada ou julgada, cabendo apenas ser vista como é.
Entretanto, quando um dos membros ocupa uma posição que não lhe pertence, acaba por danificar o sistema. Dessa forma, cada um deve respeitar a própria posição e dos familiares.
Dentro de um sistema, a hierarquia é comandada pela precedência no tempo. Um avô tem precedência sobre um neto, um pai tem precedência sobre o  filho, o irmão mais velho tem precedência sobre o irmão mais novo.
Esse amor hierárquico visa a romper o chamado de “amor arrogante”, que tentaria romper esta ordem: o arrogante é tomado pelo sistema como uma interferência e desrespeito pelo destino do outro.
Os princípios subjacentes da consciência de grupo fazem-se conhecidos em nossos relacionamentos e gera efeitos favoráveis ao sistema. Quem conhece tais efeitos pode transcender os limites das consciências pela compreensão. Não é só questão de ter consciência, isto é, convencer-se. É simplesmente compreender, aceitar.

2. Pertencimento

“Onde as consciências cegam, a compreensão sabe; onde as consciências prendem, a compreensão libera; onde as consciências incitam, o compreensão inibe ; onde as consciências paralisam, a compreensão age; e onde as consciências separam, a compreensão ama”.
Bert Hellinger

Todos os membros da família pertencem a ela de forma igualitária. As relações que esta mantém, ainda que pareçam desunidas, não inibem esse pertencimento. Assim, quando uma pessoa é expulsa da família, de forma  física sica ou inconsciente, gera desequilíbrios no sistema. Como forma de reparação, o sistema inclinará um membro que nascer nesta família mais para frente a impor o mesmo destino para si.

O sistema preocupa-se em proteger todos da mesma forma. Se por acaso esse direito é negado a algum membro, o sistema o reconduz ao grupo através da sua representação por outro familiar, geralmente as crianças, que são mais suscetiveis a esse amor cego.
Através dessa lembrança, ainda que deslocada, o sistema garante o pertencimento de todos. A criança experimenta esse vínculo como amor e felicidade ou medo da perda e da separação.

Um exemplo extremo: se a relação entre pai e mãe não está balanceada, a criança poderá ser um “substuto” de uma das partes, na visão do pai ou da mãe. Como a criança não está pronta (nem é seu papel), pode acabar sofrendo uma violência, uma superproteção ou outra forma de agressão. O direito de pertencer é de todos em um grupo. O sistema não conhece nenhuma exceção, nem em casos onde nosso julgamento aponta para penalizar com a exclusão aqueles que agem fora da regra intelectual. No caso de uma exclusão: o sistema pode achar uma forma de substituir o elemento substituído ou o elemento que abandonou o clã.
Exemplo: uma mulher perde sua irmã quando era mais jovem (há uma exclusão; isso pode levá-la a agir de maneira distorcida em relação a outras mulheres da família, seja pelo excesso de afeto ou pela agressividade  em relação a outras mulheres).

3. Equilíbrio

Aqui valem as trocas equivalentes que devem ser mantidas em uma família. Nenhum membro pode dar algo em excesso enquanto o outro apenas recebe. Esse  tipo de ação gera um desgaste no contato de ambas as partes, que tendem a se afastar devido a esse desequilíbrio. Assim, todas as ações e sentimentos devem ser levados em conjunto de maneira equilibrada, de forma que os dois possam dar e receber de modo respectivo.
Como na  sica, os sistemas buscam o equilíbrio entre as trocas que ocorrem.
Num desequilíbrio, uma das partes pode se sentir pressionada a se afastar por não poder retribuir.
Pode-se desejar retribuir a pessoa que dá muito ou que sofreu muito, ao perceber o peso de sua “benevolência”. Pode ser um “ceder”, dando uma chance ao outro de se equalizar na relação.
Esse sistema encontra uma exceção na relação entre os pais e  filhos, pois há uma visível relação hierárquica; quando os pais abandonam este papel de “guia” e exageram na compensação, podem acabar sendo superprotetores.
A Constelação parte do princípio que o sistema buscará uma forma para que todos continuem pertencendo. Quando um equilíbrio ameaça este sistema, as relações entre as pessoas buscarão compensações (nem sempre adequadas) para tentar restabelecer o equilíbrio.

Constelações Familiares - angústia e conflitos

ANGUSTIAS PESSOAIS E CONFLITOS DE RELACIONAMENTOS

Para a teoria da Constelação familiar, a maior parte das angústias pessoais, assim como os problemas de relacionamento, são resultado de confusões nos sistemas familiares, que ocorrem quando incorporamos em nossa vida o destino de outra pessoa viva ou que já viveu no passado.

A pessoa pode querer, inconscientemente, suprir uma falta, um desprezo ou uma violência do passado. Para isso, ela pode assumir o lugar da  figura omissa ou agressora. Isso pode ser feito:

- Por semelhança: repetindo comportamento, pensamentos e falas; ou
- Por oposição: buscando “redimir” o antepassado com atos opostos aos deles.

Ambos os caminhos podem ser dolorosos:

- Pela semelhança, o membro mais novo vai repetir o círculo vicioso de males.
Ex.: o membro pode querer repetir o contexto de omissão ou agressão contra seus descendentes, por achar que tal comportamento é “normal”;

- Pela oposição, o membro mais novo vai introjetar a culpa e vai exercer sobre si uma cobrança excessiva por ser bom, ou por fazer aquilo que seu antecessor não o fez.

Ex.: o membro cujo pai foi negligente pode acabar sendo super protetor, ou recair em excesso de trabalho na visão de que, assim, suprirá seus descendentes com os bens materiais que lhe faltaram.
Por esses caminhos, podemos acabar por repetir o destino dos membros familiares que foram excluídos, esquecidos ou não reconhecidos no lugar que pertencia a eles.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Constelacão familiar -.O que é?


Constelação familiar - O que é?

A Constelação Familiar é uma abordagem terapêutica que visa a trazer à luz o que está oculto nos relacionamentos familiares e interpessoais.
Este método coloca em evidência a conexão profunda que temos com a nossa família, em uma ou mais gerações.
De maneira extensiva, a Constelação também é chamada de Sistêmica no sentido de ampliar o escopo de análise: não só as famílias podem ser analisadas, como outros sistemas interpessoais de relacionamentos (amigos, colegas de trabalho, empresas etc.).
A Constelação traz à tona os vínculos de amor e lealdade que podem estar emaranhados nos nossos destinos.
O sistema familiar tem uma força tão grande (que advém do afeto entre seus membros: quando aprendemos a usar esta força para restaurar a ordem, podemos mudar um destino negativo.
As Constelações Familiares são uma inovadora abordagem psicoterapêutica ( não é psicologia nem tão pouco psicanálise) é um estilo de vida  que promove a identificação das “Ordens do Amor”, pondo em evidência os profundos laços que unem uma pessoa à sua família, inclusive às gerações mais longínquas.
De toda forma, podemos dizer que exista uma transmissão transgeracional dos problemas familiares que cria uma cadeia de destinos trágicos.
No entanto, este amor capaz de criar sofrimento é o mesmo que traz consigo a sabedoria da solução, logo que se torna consciente ao emergir no decurso da configuração de uma Constelação Familiar, desde que os agentes estejam dispostos à conciliação e ao amor.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

FAMILIARES COM RELACIONAMENTO CONFLITANTES?


Você não precisa conviver com pessoas conflitantes só porque compartilham do mesmo sobrenome e genética.

Vamos começar deixando uma coisa bem clara: não é porque é “da família” que alguém não possa prejudicá-lo. O termo “família” é, antes de mais nada, uma construção social. A questão do apego afetivo e dos laços sanguíneos, bem como os hábitos tradicionais de uma família não podem ser usados como justificativas quando há situações de conflitos dentro do próprio sistema familiar. É preciso saber a hora de sair e criar a famosa distância saudável, mantendo-se equilibrado. Você não precisa conviver com familiares tóxicos só porque compartilham do mesmo sobrenome e genética. Abrir mão dessas convenções sociais é o primeiro passo para se libertar e se sentir mais leve em relação a alguns familiares.


Acompanhe 5 sinais para ajudá-lo a enxergar se um membro da família está lhe fazendo mal:


1. Sem reciprocidade

Uma relação saudável é boa para ambos os lados. Você dá afeto e recebe afeto: é uma troca. Quando não há reciprocidade, quando somente você oferece carinho, colo, atenção, alguma coisa não está legal. Quando as iniciativas partem todas de você e não há retorno, pode ser que a relação só se desenvolva realmente por questão de puro interesse e egoísmo.

2. Drama e vitimismo

Nada está realmente bom. Tudo que você faz é motivo para uma encenação, para um drama sem motivo concreto. O vitimismo excessivo é caracterizado por mania de controle: tornando-se vítima, agindo como se tudo e todos estivessem contra ela, a pessoa dramática atrai os olhares para si e mantém os demais “reféns” de suas lamúrias.

3. Cansaço extremo

Se após algumas horas de convivência ao redor da pessoa você se sentir estranhamente cansado, preste atenção: o mais certo é que você tenha sido contaminado com as frequências vibracionais negativas do outro. Uma pessoa conflitante vai despejar as questões dela sobre você, às vezes, até inconscientemente, mas cabe a você impor limites e perceber quando o cansaço e o desânimo tomaram conta.

4. Nas horas boas sim, mas nas ruins…

Um clássico. Na hora boa todo mundo está junto, todo mundo se desculpa, todo mundo aparentemente se respeita. A abundância nas festividades, por exemplo, mascara os momentos de tensão. Familiares conflitantes chegam até você quando tudo vai bem, mas conte nos dedos: quantos realmente te estenderam a mão quando você estava na pior?

5. Excesso de culpa

Familiares conflitantes farão com que você sinta culpa. Quase o tempo todo. Culpa por ter preferido almoçar sozinho, culpa por não ter ligado para fulano, culpa por não ter dado uma passadinha na casa daquele parente e por aí vai. Amor não combina com obrigação. Mas a culpa gerada pelo excesso de zelo e, novamente, mania de controle se sobrepõem e você acaba realizando algo que não queria muito para satisfazer o desejo do outro.

Fique atento se identificou um dos sinais acima. Procure tomar consciência da situação. Há muitos outros indícios de que você pode ter na sua família uma pessoa tóxica, mas estes são os que costumamos notar primeiro. Pessoas tóxicas têm alto poder de persuasão e o conseguem através do medo, do ego e da chantagem emocional. Às vezes, fica difícil separar os sentimentos confusos que surgem, principalmente se estes estão relacionados a nossos pais, considerados figuras sagradas no cerco familiar. Não importa qual o papel que esta pessoa desempenhe na sua família: se notar um desconforto, confie na sua intuição e afaste-se gradualmente. Esse afastamento não é o mesmo que dar um sumiço, até porque na maioria das vezes não temos como fazer isso. Busque então a autopreservação.

Mas como? Simples: não entre no drama alheio. Ouça com atenção, mas não pegue para você. Não se deixe envolver. Diminua os encontros. Deixe a pessoa falar, mas não absorva. Vale a pena lembrar: nós sempre temos escolha. Escolha não se machucar.
Saiba que que sua família pode ser quem você quiser. Há amigos mais unidos do que irmãos. Há mães que competem com as filhas, há pais que não ligam de verdade para os filhos, há de tudo um pouco.

A vida familiar não cabe numa caixa, não cabe em padrões. Ilusão é achar que pai e mãe detêm amor incondicional e são donos absolutos da verdade e exemplos de santidade, que não são apenas seres humanos, com todas as limitações, sombras e dificuldades que isso implica. Saia da ilusão, pelo seu próprio bem. Desapegue-se. E se a dor for demais, nunca é tarde para construir sua própria família: aquela formada por pessoas do bem, que o querem bem, que vibram com as suas conquistas, que torcem por você e o seguram nos momentos de pouca fé. Mantenha-se ao lado dessas pessoas queridas que você mesmo escolheu, e descobrirá que amar e ser amado não precisa ser algo tão difícil.

Ninguém merece viver em um ambiente emocionalmente conflitante; sair dele não é somente necessário, é absolutamente vital. Você conseguirá? 

Não nos enganemos: a família é um dos palcos mais comuns nos quais se desenrolam as relações tóxicas. Talvez seja ainda mais difícil do que em outros contextos, porque essas relações não podem ser desfeitas. É bem mais fácil pôr um ponto final à relação com o seu parceiro ou com seu amigo do que o fazer com a sua sogra, seu irmão, seus filhos, seus pais…
A verdade é que a família nos é imposta e não podemos escolhê-la, o que requer que nos adaptemos a isso. Temos que aceitar o fato de que, ainda que sejamos pessoas independentes e plurais, há certas normas às quais estamos sujeitos devido ao nosso papel dentro do núcleo familiar.

Na realidade, quanto mais relevante for para a unidade familiar a posição que os membros das relações tóxicas ocupam, mais difícil será sair da situação ou fazer frente a este tipo de relação.
De qualquer forma há dois tipos de famílias: as rígidas e as flexíveis. É nas primeiras que costumamos ver as relações tóxicas, fruto do uso intenso e irracional do poder. O fato de que alguém abuse de seu poder implica em grande dificuldade na hora de nos relacionarmos; tal pessoa não permite que expressemos com liberdade os nossos sentimentos e opiniões. Estes são os vampiros emocionais.
A maior parte de nós tem sofrido imposição, inveja ou o descaso de alguém que, a princípio, não deveria nos causar dano de forma deliberada. É óbvio que o mais provável seja que não possamos romper essa relação, pois um vínculo familiar não se desfaz de forma tão fácil, mas a verdade é que há vezes que as relações se recrudescem a tal ponto que não nos resta outro remédio a não ser colocar um fim nela.

Segundo aponta Laura Rojas Marcos, a maioria dos conflitos são originados pelas lutas de poder, o sentimento de direito e a falta de limites. Então, frente a um irmão, uma sogra, um primo, que nos joga na cara algo ou nos prejudica com seus atos, como devemos agir?

  • Colocar-se no lugar do outro: a empatia

Isto não significa que devamos nos submeter a seus desejos e tenhamos que ceder quando não quisermos fazer algo, mas implica em manter uma certa disposição para ouvir e considerar o que o outro tem a nos dizer.
É importante que nos preparemos para aceitar a possibilidade de não chegarmos a um acordo sobre o que nos pedem. Neste caso, deverá existir um pacto de respeito ao desacordo para facilitar a convivência. Isto é: você quer algo que não é compatível com o que eu desejo, aceitemos isto e sigamos em frente.

  • Respeitar a intimidade, o espaço e o tempo da cada relação

Neste sentido devemos aceitar que o “Não” é a resposta e teremos que conseguir tolerar a frustração. Costuma-se dizer que onde há confiança há desgosto, mas isto é algo que não podemos permitir. O excesso de confiança e de intromissão dá lugar aos maiores conflitos familiares conhecidos.
Como aponta Rojas Marcos, “nas relações familiares faz-se coisas nas quais não existe acordo. Se, na casa de um filho, ou dos pais  entrarmos sem avisar ou telefonam a qualquer hora, temos que estar preparados para receber uma resposta que pode não ser a que esperávamos. MUITOS PAIS, por não saber dar limites aos filhos após este ter constituído família, entendem, erradamente, que podem fazer o mesmo com os filhos. Por OUTRO LADO, os filhos mantem os hábitos de solteiros acham que os pais devem servi-los como se eles fossem solteiros
e não respeitam os horários  e espaços dos pais. Isso serve para determinar e marcar os limites da relação”.
 

Ser respeitoso e manter a educação

Na hora de cuidar de qualquer relação, é importantíssimo que não digamos a primeira coisa que nos vem à mente e que a passemos pelo filtro da educação e do respeito.
É provável que grande parte das pessoas tenha um familiar próximo que pensa que pode dizer tudo o que quer e acha que suas percepções e opiniões estão acima das de qualquer outra pessoa.
Isso pode criar muitos conflitos, motivo pelo qual é importante que tomemos uma certa distância das situações e coloquemos limites de forma calma, respondendo que o que outro nos diz está causando uma dor emocional. É importante lutarmos para não perder terreno frente a esta questão.

  • Ser assertivo e utilizar as palavras mágicas

É provável que você não queira poder, que só queira ser livre para agir e se expressar, e que essa pessoa seja um grande obstáculo para que você consiga isto. É tão simples quanto manifestar um “não posso”, um “não quero”, um “não estou de acordo”. É importante se sentir seguro e fazer uso dessa capacidade de escolha.

Além disso, as palavras que mais abrem portas são “por favor” e “obrigado”. Ainda que estejamos em família, elas seguem sendo de grande importância. Expressarmos consideração e amabilidade demonstra respeito pelo tempo e pelo esforço diante de um pedido ou um favor.

  • Ser paciente

Ser impaciente faz com que sejamos mais impulsivos e, portanto,que não reflitamos a respeito de nossas decisões. A capacidade de esperar e de pensar antes de agir é um dos princípios mais importantes que devem guiar as nossas relações, em especial as relações familiares.
Pode ser que não possamos solucionar as dificuldades que acompanham uma esgotadora relação familiar conflitante. Às vezes, torna-se inevitável tomar uma decisão com consequências que podem ser verdadeiramente nefastas para o núcleo familiar.
Os vampiros emocionais e predadores existem em todas as famílias e em todos os contextos; o importante é que saibamos identificá-los e nos proteger deles, assim como não nos deixar guiar pela intensidade das emoções passageiras como o aborrecimento. Antes de mais nada, mantenha a sensatez e leve em conta que temos um limite mental e físico que não convém a ninguém ultrapassar.