sexta-feira, 8 de março de 2024

MECANISMO DE DEFESA - PROJEÇÃO

Na estrutura psíquica, o ego surge em resposta às frustrações e exigências que o mundo externo impõe ao organismo . À medida que se desenvolve, aprende a obedecer o princípio da realidade, enquanto que o id persiste seguindo o princípio do prazer. Obviamente, então, haverá conflito entre o ego e o id. O superego incorporou-se ao ego como um controle automático devido às exigências impostas pelo meio. Entretanto, o próprio meio pode ser fonte de tentações para os impulsos do id e haverá então um conflito entre o ego e o superego.

Em vista disto, desenvolvem-se os mecanismos de defesa destinados a proteger a pessoa contra impulsos ou afetos que possam ocasionar aqueles conflitos, os quais são fontes de angustia. A angustia é a reação do ego diante da percepção inconsciente de qualquer ameaça à sua integridade e se traduz por sintomas e sinais equivalentes a uma reação intensa de medo, porém sem objeto aparente. As ameaças podem provir da própria natureza e intensidade do impulso, do sentimento de culpa frente ao superego se houver satisfação do impulso, do sentimento de inferioridade se o impulso não for satisfeito e do receio da crítica social se o indivíduo não rejeitar as próprias tendências.

Os mecanismos de defesa têm funções protetoras e alguns deles são empregados por todos, na vida cotidiana, para conseguir a estabilidade emocional. Podem ser usados para auxiliar na integração da personalidade, apoiando-a na adaptação ao meio e nas relações interpessoais. Entretanto, seu uso pode ser feito de forma inadequada ou mesmo destrutiva, tornando-os em si mesmos, ameaças para o bom funcionamento do ego, levando ao aparecimento de distúrbios psicológicos.

Projeção – É o processo mental pelo qual atributos da própria pessoa, não aceitos conscientemente, são imputados a outrem, sem levar em conta os dados da realidade. Exemplo: Um homem, não podendo conscientemente aceitar seus fortes sentimentos hostis em relação a um superior de quem depende, considera que este o persegue e maltrata, embora isto não corresponda às atitudes reais do referido superior. Ex: quando é difícil aceitar que somos invejosos e passamos a achar que todos nos invejam ou quando uma pessoa está com raiva e passa a achar que todos estão contra ela. Projeção: operação na qual o sujeito expulsa de si e localiza no

outro, pessoa ou coisa, as qualidades, os desejos, os afetos, os sentimentos que estão internalizados e ele desdenha e/ou recusa aceitar e/ou admitir que lhe são pertencentes. acordo com seus interesses, aptidões, expectativas e desejos.

Projeção: mecanismo de defesa

Um exemplo da dinâmica do comportamento de projeção é culpar alguma pessoa por um fracasso próprio. Assim, evita-se o desconforto de admitir conscientemente a falta cometida, guardando o sentimento no inconsciente.

Identificação projetiva

A identificação projetiva difere da projeção simples na medida em que a identificação projetiva pode se tornar uma profecia autorrealizável, pela qual uma pessoa, acreditando em algo falso sobre outra, influencia ou coage aquela outra pessoa a realizar essa projeção precisa. Identificação projetiva é um mecanismo de defesa que se manifesta por um processo inconsciente, no qual aspetos do próprio sujeito são negados e atribuídos a outro.

Para Melanie Klein, a identificação projetiva é definida como um mecanismo de defesa primitivo, que invade a mente do receptor e que não respeita ou considera a existência do outro em suas particularidades.

quinta-feira, 7 de março de 2024

O tédio da vida sem desafios - O medo é o sal da vida?

 A terceira função do medo é ser estimulante. Um dia, fui ao Playcenter com os meus filhos, e o mais velho quis brincar naquela roda que gira, gira, você fica grudado na parede e depois a roda começa a girar na vertical. Entramos na fila, aquela agitação, e o menino, assustado, me perguntou: "Você está com medo, pai?". Eu disse que não, ele quis saber por quê, e eu respondi: "Porque a força centrífuga é maior que a força da gravidade, e eu vou grudar na parede". Então meu filho observou:

"Pô, pai, se você me desse um pouco da sua tranquilidade e eu desse um pouco do meu medo, você ia se divertir muito mais".

É isso: sem o estímulo que o medo dá, a vida perde a graça.

Um outro exemplo é o do técnico de atletismo que queria descobrir por que alguns atletas de ponta erravam o tiro de partida e perdiam a prova, ou então ganhavam a prova mas não batiam o recorde. Ele aplicou então testes para medir a relação entre o desafio e a habilidade do indivíduo. E chegou à seguinte conclusão: se o indivíduo tiver um grande desafio e pouca habilidade, ele entra em estado de ansiedade.

O que é ter um grande desafio e pouca habilidade? É o caso do indivíduo que é tão bom médico que o colocam para ser diretor do hospital. Mas ele não tem a mínima competência para dirigir pessoas, ele só é bom médico. Quando é colocado no seu ponto de incompetência, ele entra em estado de ansiedade porque tem um desafio maior que a sua habilidade. Ou o caso do indivíduo que é competente, mas não tem equipe nem infraestrutura. Ou tem tudo isso, mas o prazo para a execução da tarefa é insuficiente. O resultado será uma grande ansiedade. E a continuação de uma situação como essa se chama estresse.

Em compensação, se você tiver uma enorme habilidade e um desafio menor, você cai no desinteresse. É o caso do indivíduo subaproveitado. E existe uma faixa, chamada "faixa de fuir", na qual há o mesmo nível de habilidade e desafio. Nesse caso, você trabalha com prazer. Mas, se você aumenta a sua habilidade, tem de aumentar o desafio, senão cai no desinteresse.

Esta é a função estimulante do medo: o desafio. O pôquer é um jogo altamente estimulante no qual você pode usar a inteligência. Já imaginou jogar pôquer olhando as cartas dos adversários? Você ganharia todas as partidas, mas não iria mais querer jogar. O jogo ficaria chato. O gostoso no jogo de pôquer é a possibilidade de perder. O medo é que faz o jogo ser interessante.

Alguns anos atrás, eu vi na televisão um filme muito bom. Era sobre um assaltante que durante o assalto levava uns tiros e morria. Quando acordava, a seu lado estava um senhor muito bem-vestido que o informava de sua morte. O assaltante entrava em pânico, mas era obrigado a acompanhar o homem. Eles chegavam, então, a um castelo muito bonito.

O assaltante nunca tinha visto nada assim. No castelo havia comida e bebida à vontade e mesas de jogos. Tudo se recompunha. Ele se servia de um vinho maravilhoso, e a garrafa ficava cheia novamente. Adorava jogar sinuca. Nunca mais errou uma bola. Ele achava estranho, mas, como era malandro, ficava quieto. Passou lá uma temporada, curtiu muito, mas depois de um tempo começou a se sentir sozinho e chateado. Então, o senhor elegante apareceu de novo e perguntou:

- Você está sentindo falta de companhia?

O assaltante confirmou. Na mesma hora apareceram cinco mulheres muito bonitas. Ele perguntou:

Posso escolher?

Pode ficar com as cinco.

As mulheres eram absolutamente fantásticas. Satisfaziam todos os seus desejos. Nenhuma frustração. Mas o tempo passava e ele se sentiu entediado outra vez. E pediu ao seu protetor:

Gostaria de voltar à Terra pelo menos por um dia.

Para fazer o quê?

A única coisa que sei e gosto de fazer: assaltar um banco.

O homem concordou, e ele voltou à Terra. Dirigiu-se a um banco. Puxou o revólver, e o segurança puxou o chapéu e o cumprimentou. Dirigiu-se ao caixa, que o aguardava com uma maleta recheada de dinheiro. Ele nem pegou. Saiu do banco e encontrou seu protetor.

- Sabe, eu tive uma vida desgraçada, fui um bandido, quero ir para o inferno.

E o homem elegante responde:

- E onde você pensa que está? Você está no inferno.

Inferno é um lugar onde não existem riscos.

Se você consegue montar uma vida sem riscos, você montou um inferno, porque só há desinteresse, tédio, depressão. É uma vida na qual não há desafios a vencer. Por outro lado, se você montar uma vida de riscos, que o paralisa, você entra em estresse. O que a gente tem de fazer é conseguir que o desafio seja correspondente à nossa capacidade. Se aumentou a capacidade, tem de aumentar o desafio. Aí a vida fica apaixonante.

O medo é o sal da vida. Mas nós vivemos numa cultura que ensina que devemos ser muito prudentes. Então, montamos uma vida em que não há medo. Resultado: fica tudo um tédio, e a gente sai em busca do medo. Como? Jogando pôquer, indo ao cinema para assistir a filmes de terror, ao circo para ver se o trapezista cai, à tourada para torcer pelo touro, à corrida para ver se acontece um acidente.

Existe essa relação desafio-habilidade também nos relacionamentos afetivos. O namoro, período de conquistas, corresponde a grande desafio e pouca habilidade. O medo da perda, a preocupação e os cuidados com o outro, a taquicardia nos encontros, tudo altamente excitante.

Após algum tempo de casamento, estamos no extremo oposto do gráfico: muita habilidade e pouco desafio. Desinteresse. Tédio. Nenhuma emoção acompanha os encontros. Rotina? Não. Ausência de medo. A "faixa do fluir" é desejável. É viável. Manter viva a chama do amor. Função do medo.

Serei sempre estimulante para o outro se isso for sempre um desafio. Se permanecer o medo de perder, que estimula cuidados, atenções, taquicardias.

Se o outro também for para mim alguém que eu posso perder, teremos encontrado a fórmula da conservação do amor. Função do medo. A entrega total, sem limites, sem riscos, leva ao desinteresse. O medo é o sal da vida.

Os limites impostos pelo medo

 A segunda função do medo é ser pedagógico, porque nos leva a respeitar o limite do outro. Se não existisse medo, não haveria possibilidade de convivência comunitária e não haveria respeito pelos limites do outro. Vou dar um exemplo: um grupo tomou o poder no Brasil e se considerou acima do bem e do mal. O resultado foi a maior corrupção que já aconteceu na nossa história. Com o ressurgimento da liberdade de imprensa e com o Poder Judiciário em pleno funcionamento, restabeleceu-se o medo que leva ao respeito à lei. O que é im-punidade? É não ter medo. Não tem medo, não tem limite.

As consequências disso na vida da gente são muito claras. No relacionamento, o medo é muito importante porque, se eu invadir o limite do outro, vai haver uma sanção. Filho, por exemplo, ao contrário do que muita gente acredita, precisa ter medo. Precisa ter noção de limite. Precisa sentir e saber que a infração às normas tem consequências. Não se propõe uma educação de pessoas submissas, que jamais afrontem as regras propostas. Mas também não se propõe uma geração que pense que pode afrontar as normas sem nenhuma consequência.

Devemos ser responsáveis por nossos atos. E o medo das consequências desses atos é pedagógico. Poderíamos levantar a dúvida: até que ponto a inconsequência social, que é tão destrutiva para nossa Pátria, não tem sua origem numa geração que não conheceu limites em casa, que não sentiu medo

quarta-feira, 6 de março de 2024

Preparo para enfrentar as dificuldades - MEDO

 O medo é um dos instintos considerados maus, de segunda classe, que a gente tenta reprimir o tempo todo, vivendo como se ele não existisse. Só que, como todo instinto reprimido - fera dentro da jaula -, ele informa nosso comportamento. Muitas pessoas têm sede de poder, e você descobre que na verdade isso é medo. A gente tem insegurança e descobre que insegurança é o nome elegante do medo. Assumimos um papel e deixamos outros de lado e acabamos descobrindo que deixamos os outros papéis de lado porque temos medo.

Frequentemente, por exemplo, nos atiramos num excesso de trabalho, sem perceber que estamos fugindo de uma agradável e assustadora possibilidade de realização afetiva. Então, em vez de fingir que o medo não existe, é melhor ouvi-lo e saber para que ele serve.

O medo tem fundamentalmente três funções: é preparatório, é pedagógico e é estimulante. Preparatório porque ele prepara o corpo para uma reação que vem a seguir. Estou parado e de repente ouço um barulho lá fora. Isso me assusta. Sinto que meu corpo se carrega de uma carga de energia. O representante psíquico, a emoção que vou sentir, chama-se medo.

Na hora em que levo o susto, o meu diencéfalo manda uma ordem para a minha suprarrenal, e ela joga no sangue um hormônio chamado adrenalina. Qual é a função da adrenalina?

Preparar o organismo para uma TV reação - de enfrentamento ou de fuga. A adrenalina permite que muito sangue de boa qualidade se dirija aos locais onde ele é necessário (os músculos) e retira essa mesma quantidade de sangue de outras regiões. Há uma dilatação das artérias dos músculos e, ao mesmo uma contração das artérias das vísceras, da pele e do cérebro.

Isso acontece porque não vou precisar de sangue no intestino, no estômago ou na pele, mas, sim, nos músculos - para lutar ou fugir. O coração começa a bater rapidamente para o sangue correr depressa, e eu tenho taquicardia. O sangue também precisa ser bem oxigenado. Então, começo a respirar rapidamente para oxigená-lo. Para respirar rapidamente, paro de inspirar pelo diafragma e começo a respirar com os intercostais: fico com taquipneia. O baço se contrai e joga glóbulos sanguíneos na corrente sanguínea. O pâncreas libera insulina, e o fígado produz glicose. A insulina vai queimar a glicose nos múscu-los. Existe ainda uma dilatação da pupila. Todos os pelos do meu corpo ficam eriçados, e há uma contração das glândulas sudoríparas, provocando um cheiro característico. Em casos extremos, ocorre um relaxamento do esfíncter, e a pessoa elimina fezes e urina para assustar o adversário. Tudo isso acontece no organismo cada vez que você tem medo. Ou seja: o animal está preparado para enfrentar a situação de perigo que apareceu. Vai lutar ou fugir. E o instante em que deve atuar a agressividade. A agressividade é um impulso que tira o animal do imobilismo. Se eu não usar a minha agressividade, vou ficar paralisado de medo.

Quem não tem medo é irresponsável e inconsequente.

O medo é uma reação normal e animal. Coragem é ter medo e enfrentar a situação. Quando o animal fica paralisado, o medo prepara-o para ver o tamanho da encrenca. Se a encrenca for igual ou inferior às suas forças, ele ataca. Se for maior, ele foge.

Fugir é uma reação agressiva. O homem é o único animal que continua paralisado, não se move e, quando não se move, o medo fica constante, passando a ser um informante que não o deixa mais reagir.

João, por exemplo, diz que tem medo de autoridade. Havia na história de vida dele uma autoridade que, cronicamente, lhe causava muito medo. Hoje, quando ele entra em contato com qualquer autoridade, fica imobilizado, exatamente como ficava na infância. Quem foi criado por um pai carinhoso, não autoritário, que era próximo do filho, acaba tendo coragem.

Ou seja: a coragem que a pessoa tem, a capacidade de enfrentar as dificuldades, depende do capital afetivo que ela recebeu lá atrás, na infância, especialmente por meio da figura paterna.


O QUE É AMARGURA?

 Uma das palavras bíblicas para amargura descreve literalmente o sabor amargo de certas comidas e bebidas. O verbo traduzido por "ser amargo" significa "cortar" ou "perfurar". Você pode pensar sobre amargura como uma ferida interna, autoinfligida e é isso mesmo.

 A Bíblia, contudo, diz que essa atitude ressentida e não perdoadora cortará e perfurará a outros também. A amargura é o resultado de não perdoarmos alguém. Estar amargurado com alguém é não ter verdadeiramente perdoado a pessoa. Em outras palavras a amargura é o resultado de reagir de maneira inapropriada (não bíblica) a uma ofensa .

As Escrituras comparam amargura a uma raiz: Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados. (Hb 12.15) Raízes precisam ser plantadas. Então, deixe-me perguntar: "Qual semente você imagina que quando plantada no solo dos nossos corações produz uma raiz de amargura?" Tratando de modo amplo, essa semente é uma mágoa. 

 Quando alguém te magoa, é como se a pessoa plantasse a semente de amargura no solo do seu coração. Nesse momento, você pode escolher reagir de duas maneiras. Você pode tanto arrancar a semente perdoando o ofensor ou pode cultivá-la lembrando-se da mágoa o tempo todo em sua mente. A amargura é o resultado de insistir em pensar por muito tempo na mágoa. Repito, é a indicação pensar por muito tempo na mágoa. Repito, é a indicação de que o ofendido não perdoou ao ofensor verdadeiramente (Mt 18.34-35). 

 A mágoa pode ser real ou imaginária; não faz diferença. O resultado é o mesmo. Se você não lida com ela biblicamente, se tornará amargo. Se eu magoar você como resultado do meu pecado ou ofensas e você escolher não deixar passar ou não cobri-lo com amor (Pv 17.9; 1 Pe 4.8), deverá seguir Lc 17.3 e me procurar com a intenção de me conceder perdão, e, eu preciso me arrepender. Se você ficar magoado como resultado de algo que fiz que não é pecado, você deve se arrepender do seu modo de pensar não bíblico, que fez com que ficasse "ofendido" com alguma coisa.

O relacionamento simbiótico

 A maior parte das pessoas passa a vida toda sem conhecer as leis secretas que existem em seu inconsciente. Um grande número também não consegue flexibilizar seus papéis e não resiste à tentação de se apoiar na imagem. Essa pessoa que tem conflitos conscientes e inconscientes desconhecidos por ela chega à vida adulta e conhece um outro ser humano também cheio de conflitos. E eles se apaixonam.

Vamos supor que o ser humano homem, em função de seu temperamento e de um processo educacional determinado, tenha se transformado em alguém que é mais impulso que norma. O outro ser humano, uma mulher, pelas mesmas razões de temperamento e educação, transformou-se em alguém que é mais norma do que impulso. Que tipo de relacionamento eles vão ter? Vão montar uma unidade na qual o homem vai ser o impulso do casal, e a mulher, a norma do casal. E os dois se transformam numa pessoa só.

Parece tão bonito que até a Igreja propõe que eles sejam dois em um. Encontrar a outra metade da laranja. Mas o que acontece é uma patologia terrível. Por quê? Porque ele vai encontrar nela um meio de controlar seus impulsos. Ela será seu freio de mão, seu grilo falante. A mulher, por sua vez, vai viver no homem um impulso que ela reprime nela, que ela aprendeu que deve ser condenado. Mas como não pode viver sem o impulso - porque ele é natural -, ela vai vivê-lo no seu parceiro.

Como? Suponha que João é um homem cheio de planos, não conhece limites, vive a mil, é irresponsável e inconsequente, uma verdadeira cigarra. João conhece Maria, uma moça responsável, honesta, cumpridora de seus compromissos, uma formiga trabalhadora. Eles se apaixonam. O fato de João ser um acelerador, alguém que vive seus impulsos sem pensar muito, foi o que conquistou o coração de Maria. Ela admira o fato de ele não sentir medo. O fato de Maria ser extremamente responsável foi o que conquistou o coração de João. Ocorre, no entanto, que ambos vão viver no outro o que condenam em si. Por isso, depois do casamento, Maria começa a brigar para que João deixe de ser um acelerador, beba menos, trabalhe um pouco, não estoure com tanta frequência a conta no banco. João briga para que Maria deixe de ser o freio, deixe de ser a estraga-prazeres.

O casamento simbiótico é como encontrar a metade da laranja. É desistir de ser inteiro para virar uma pessoa feita de duas. Um precisa do outro para reequilibrar o seu móbile. O acelerador precisa do freio senão se perde, entra em síndrome de pânico. E o freio precisa do acelerador para que a vida tenha algum sabor, não seja feita só de responsabilidades.

A única saída é trabalhar exatamente aquelas características que você condena em si mesmo e que vê no outro. Nas cigarras, por exemplo, a gente deve trabalhar a norma para que a pessoa aprenda a tomar conta de si. Nas formigas, deve-se trabalhar o impulso.

Sem isso, o que acontece nesse casamento simbiótico?

Primeiro, é uma situação profundamente infeliz. A mulher detesta o marido porque ele diz e faz coisas que ela condena. O marido detesta a mulher porque ela é um peso. A tragédia, no entanto, é que eles não podem se separar porque um precisa do outro. A separação é uma dor terrível, parece que cada um perde um pedaço de si mesmo. Uma vez, um paciente definiu isso muito bem. Ele disse que morria de dor por ter perdido uma coisa que ele não queria.

Além de dolorosa, a separação é inútil. Por quê? Porque o cidadão fica dois ou três meses sozinho, e então, começa de novo a correr atrás de outro freio. Ele troca o CIC e o RG da mulher, mas se casa novamente com uma pessoa com as mesmas características.

Na maioria dos casos, em vez de se separar, o casal simbiótico acaba sustentando o seu relacionamento por meio da relação extraconjugal. O casamento fica tão ruim que é preciso arranjar um ladrão para a caixa-d'água não transbordar. A função do amante é manter o casamento. Às vezes, acontece de a paixão pelo outro desestruturar o casamento. Então, a paixão só serviu de motor de arranque. O casamento já estava acabado. Você se apaixona e aí cria coragem para desestruturar o que já estava desestruturado, em vez de ficar mantendo o ladrão da caixa-dágua. Só que aí você enfrenta o objeto da sua paixão, e a paixão vai terminar também, porque o problema fundamental, o seu problema com você, não foi resolvido.

A maior parte das pessoas tem seu desajuste na área pessoal, e não na profissional, porque no campo profissional os limites já estão estabelecidos. Vou trabalhar numa empresa e, quando chego, ja existe um procedimento a seguir. Nos relacionamentos familiares, a norma não está escrita; a gente tem de estabelecer a norma através do diálogo, e isso é muito complicado, tão complicado que todo mundo diz que a happy hour é para relaxar depois do trabalho. Mentira! O trabalho é que é o repouso do guerreiro. A gente toma um aperitivo depois do expediente para poder enfrentar o dragão que é a vida familiar

terça-feira, 5 de março de 2024

Codependência e Vicio Relacional - SINDROME DA COITADINHA


Codependência e vicio relacional

Codependência é uma condição psicológica ou uma relação na qual uma pessoa é manipulada por outra pessoa com problemas emocionais ou físicos. Isso acontece quando alguém se torna extremamente dependente do outro.

Comumente a pessoa assim menospreza suas próprias necessidades e se preocupa de forma excessiva com as de outras pessoas. A codependência(síndrome da cuidadora) pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento: na família, no casamento, no trabalho, em amizades ou na vida em comunidade. A pessoa codependente pode ser caracterizada por negação, baixa estima, conformismo excessivo, e por assumir responsabilidade pela vida de outros, mantendo certos padrões de controle.

Pessoas com dependência emocional (pessoas centradas em si mesmas de forma exagerada nos seus problemas) são ímãs naturais para a pessoa codependente ou quem tem síndrome da cuidadora. Alcoólatras, pessoas com dependência química, pessoas com dependências financeiras e que tem dificuldades de se estabelecer financeiramente, personalidades vitimista e adultos imaturos, e outros distúrbios emocionais, geralmente têm pelo menos uma pessoa codependente lhes apoiando em seus vícios. Estas dão cobertura aos seus deslizes, problemas e pecado. A pessoa dependente não conseguiria se manter em sua dependência sem a ajuda da pessoa codependente. Isto se aplica ao vício do ativismo também.

A codependência é muito difícil de ser quebrada. Normalmente a pessoa codependente foi criada assim, com mãe ou pai ou irmão doente emocional ou fisicamente, e anda assim há décadas. Essa atitude requer mudanças profundas internas. Normalmente também requer um processo significativo de restauração.

Na codependência, uma pessoa encontra seu significado ou bem-estar através de apoiar e cuidar de uma pessoa dependente de algo não saudável. O exemplo mais clássico é a esposa de marido alcoólatra que o protege das consequências de sua doença, ate mesmo mentido, para que ele não perca emprego, relacionamentos, reputação. Mas uma dependência doentia pode ser emocional ou pode ser outro vício, seja químico ou comportamental (como o vicio de ativismo, de compras , de não saber dizer não etc. Na codependência, as pessoas estão presas umas às outras, uma para continuar sua dependência doentia e a outra para sentir-se valorizada no seu papel “heroico”, mesmo nutrindo raiva, amargura e atitude de vitima. Em contraste, na interdependência, ambas são livres e, dentro dessa liberdade, escolhem compartilhar suas vidas e decisão.

Como distinguir a codependência da realidade de que dependemos de outras pessoas o tempo todo e no casamento, sem dúvida, mais do que outro relacionamento? Como evitar codependencia e vivenciar interdependência? Um dos segredos é distinguir entre necessidades saudáveis e doentias. Qual a diferença?

Necessidade doentia são negadas, mascaradas e reprimidas. Elas são as bases para alguém manipular outras pessoas para sentir-se satisfeito, dominando-as e invadindo as suas vidas. Paul Tournier afirmou certa vez que os “fracos dominam o mundo , pois eles manipulam os fortes para cuidarem deles”!

Necessidade saudáveis são reconhecida, admitidas, confessadas e ate celebrada. Estão sob controle; não dominam o relacionamento. As pessoas não sentem vergonha dessas necessidades, ciente de que são normais e que não existe ser humano sem necessidades.

Codependência é fruto da inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Nos relacionamentos codependentes não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativa realista, individualidade e confiança nos outros e em si mesmo. Ao reconhecer padrões codependentes em nosso relacionamento, precisamos confessar isso a Deus e procurar ajuda de outras pessoas para quebrar estas tendencias ou fortalezas .

Se uma pessoa percebe que é codependente( possui a síndrome da cuidadora), os seguintes passos podem ajudar a se curá-la, principalmente se você tiver algum transtorno de ansiedade.

1. Firme sua identidade em Jesus. Descubra quem você é - independente da pessoa mais importante em sua vida ( Ef 1.17-20).

2. Recuse-se a ser um facilitador; não tolere relacionamentos tóxicos, que fazem mal para você.

3. Deixe as outras pessoas sofrerem as consequências de suas ações.

4. Não procure dar cobertura a elas nem se responsabilizar por elas e pelos problemas que são delas.

5. Ajude-o dentro dos seus limites e disponibilidades. Ajude sim, se a pessoa pedir e ela não sabe resolver.

6. Reconheça e comunique seus limites.

7. Aprenda a estabelecer limites saudáveis. Não resgate outras pessoas. Aprenda a dizer não e sustente esse não.

8. Defina o que é e o que não é sua responsabilidade.

9. Abrir mão de dar conta das expectativas dos outros.

10. Procure pessoas que possam apoiar você nestes passos e ajudá-lo a se firmar neles (Mt 26.36-46;Мс 10.17-31)