quinta-feira, 2 de junho de 2016

O medo x Neurose


" As neuroses são geradas não só por experiências individuais incidentais, como também pelas condições culturais específicas em que vivemos [...]. É um destino individual, por exemplo, ter uma mãe dominadora ou que se sacrifica, mas é somente em condições culturais definidas que encontramos mães dominadoras ou que se sacrificam" . - Karen Horney

"Tudo que você quer está do outro lado do medo" - George Addair

"O Que te preocupa, te domina" - Jonh Luke

"Desejo que você
Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Seja um debatedor de idéias. Lute pelo que você ama." - Augusto Cury


Diz-se que as pessoas aprendem pela experiência e, em geral, isto é verdade. A experiência e a melhor e talvez único e verdadeiro professor. Mas quando esse aprender está inserido no âmbito da neurose de alguém, a regra parece não ser aplicável. A pessoa não aprende pela experiência; ao contrário, repete o mesmo comportamento autodestrutivo vezes e vezes seguida. Vejam  exemplos de alguns  casos abaixo:

Caso 1

João I é um homem que sempre se encontra em condição de ajudar os outros. Responde com grande solicitude quando alguém o procura  buscando ajuda. Posteriormente, sente-se usado e fica ressentido porque não acredita que a pessoa por ele ajudada apreciou devidamente sua dedicação. Volta-se contra quem prestou assistência e decide ser menos disponível e mais crítico em relação às solicitações de ajuda que receber da próximas vez. Porém quando sente que existe alguém em dificuldade, oferece seus serviços, inclusive antes de ter sido requisitado pensando que desta vez o resultado será diferente. Mais uma vez, porém, acontece como antes. Essa pessoa não aprende, porque seus préstimos têm uma qualidade compulsória. Sua ajuda é levada ajudar por força que escapam a seu controle.

Caso 2

Maria I, em seus relacionamentos com homem, assume um papel maternal. O efeito desta postura é infantilizar o homem e privar-se de sua realização sexual. Esta talvez interrompa a relação sentindo-se usada e ludibriada, culpando a imaturidade e a fraqueza do homem pelo fracasso do vínculo. Da próxima vez, diz, escolherá um homem que consiga ficar de pé por si mesma , e não precise mais de mamãe. Mas a vez seguinte acaba sendo como as outras. Um estranho destino parece impeli-la para as próprias situações que está procurando evitar. Ela é levada a bancar a mãe de seus parceiros, por força desconhecida em sua personalidade.

Os dois casos apresentados são as pessoas apresentam comportamentos neuróticos. O caso 1( João I ), uma parte de sua personalidade quer ajudar , uma outra não. Se ajuda, sente-se ressentido; se não ajuda, sente-se culpado. Esta é uma típica armadilha neurótica da qual não há como sair, exceto refazendo os passos que levaram a mesma. Existe um conflito inconsciente a exemplo do caso 2 ( Maria 1). Maria 1, apresenta um conflito inconsciente que lha subjaz. Seu conflito está  entre o seu desejo de um relacionamento sexual satisfatório e saudável com um homem, e o medo desse mesmo relacionamento. Para ela bancar a mãe é uma tentativa de superar sua ansiedade sexual, pois isso lhe permite negar a si mesma o medo de entregar-se, render-se a um homem. Agindo como mãe, sente-se necessária e superior.

Outro caso que poderá fazer você entender o caráter neurótico de uma pessoa descreveremos  abaixo:

Caso 3 ( Maria II )

Maria II tinha grande dificuldades para estabelecer um relacionamento com um homem. Maria II quando encontrava alguém por quem sentia-se atraída, adotava uma atitude excessivamente crítica. Enxergava todas as fraquezas e defeitos  dele, rejeitando-o. Não é difícil ver que a atitude exageradamente crítica  de Maria II é uma defesa contra o temido perigo de ser ela mesma rejeitada. A sua defesa é proteger-se, rejeitando o homem primeiro. Mas saber disso também não ajuda muito. A causa de seus medos está além de seu controle. Para ajudá-la, um terapeuta precisa conhecer que forças em sua personalidade  ditam seu comportamento. Uma observação que podemos adianta-la e que seu comportamento só alterava quando sentia atraída. Com os outros era uma pessoa solicita, amistosa,descontraída e bom relacionamento. Em suma, o processo psicoterapeuta identificou que a grande dificuldade de Maria II só aparecia quando ela nutria algum sentimento especial pela pessoa. Ela não conseguia suportar esta sensação; era por demais dolorosa e, por isso, fugia da situação.
Através da análise é possível descobrir o que aconteceu com essa pessoa, quando foi criança, para criar este problema. A análise identificou que Maria II, quando criança, sofreu rejeição e está rejeição lhes causou uma dor tão  avasaladora que ela precisou guarda-la a sete chaves para poder sobreviver,  ela não tinha como se defender a não ser reprimir.  Maria II obstrui seu coração para que não sentisse dor tão intensa e agora não ousa desobstruir- lo. Amar é abrir o coração e Maria l tem medo de fazê-lo por causa da dor que isso implica. Para para Maria II, o conflito ( neurose) ocorre entre o seu desejo é o medo de amar.

O que torna tal conflito neurótico é a repressão que a pessoa executa sobre o elemento negativo. Assim, o homem (João I ) prestativo nega seu ressentimento quando lhe pedem que o ajude; a mulher (Maria I) que banca a mãe nega seu medo de sexo, e a pessoa ( Maria II)  exageradamente crítica nega a sua capacidade de amar. Essas pessoas são  incapazes de encarar sua dor e a raiva à qual a dormitar surgimento, a pessoa neurótica esforça-se por superar seus temores, ansiedades, hostilidades e raiva. Uma parte de si mesma procura sobrepujar outras, o que dilacera a unidade do ser e destrói sua integridade. As pessoas neuróticas esforça-se para vencer a si mesma, que certamente fracassará. É o fracasso é inaceitável e não sabem que a aceitação do fracasso podem torna-se livre da neurose.

Lembramos que saber dos comportamentos não resolve o problemas, é preciso uma análise mais profunda pois sua resposta neurótica e seus medos estão  além de seu controle.



Segundo Alexander Lowen, a neurose não é, costumeiramente, definida como medo da vida mas é exatamente isso. A pessoa com esta característica tem medo de abrir seu coração ao amor, teme estender a mão para pedir ou para agredir; amedronta-a ser plenamente si mesma. Quando abrimos o coração ao amor, ficamos vulneráveis ao risco da mágoa; quando estendemos os braços à frente, nos arriscamos à rejeição; quando agredimos, há a possibilidade de sermos destruídos.  Vida ou sensações de maior intensidade do que aquelas  a que a pessoa está habituada é algo perigoso pois que ameaças inundar o ego, ultrapassar seus limites, liquidar sua identidade. É assustador sentir mais vitalidade, ter sensações mais intensas. Às vezes sensações intensas e boas é assustador e gera medo, e o processo se torna neurótico. Viva intensamente o momento, deixe o passado e não olhe o futuro. 

Trabalhei com um jovem rapaz cujo corpo estava bastante destituído de vitalidade. Era tenso e contraído, os olhos estavam sempre amortecidos, respiração sufocante. Seu corpo tornou-se mais vivo com alguns movimentos terapêuticos de respiração. Seu olhos começaram a iluminar, sua respiração ficou mais continua e ainda disse: estou sentindo minhas pernas, meu corpo está mais leve. Ele concluiu. "Doutor é vida demais! Não consigo aguentar".

Na verdade o relato acima, em certa medida mostra que todos nós estamos na mesma situação. Queremos nos tornar mais cheio de vida, sentir mais, e dessa forma temos medo de sentir vida e de viver.

Nosso medo da vida se espelha em nossa maneira de nos mantermos ocupados a fim de não sentirmos, de ficarmos na correria, não nos encararmos de frente, de nós alcoolizarmos ou drogarmos a fim de não sentir o nosso ser. Por sentirmos o medo da vida , procuramos controlá-la, dominá-la. Acreditamos que é ruim ou perigoso sermos levados de roldão por estas emoções. Que tem medo de viver admira as pessoas frias, capaz de agir sem sentimentos. Nosso herói é James Bond, um agente secreto que não erra. A ênfase de uma pessoa que tem medo é de não ser uma pessoa e sim uma pessoa de sucesso. O lema é: faça mais, sinta menos. Esta atitude caracteriza grande parte da moderna sexualidade: mais atuação, menos paixão.
Independente de quão bem nos saímos, como pessoas somos um fracasso. Acredito que a maioria de nós sinta o fracasso em si mesmo. Temos percepção apenas nebulosa da dor, da angústia, do desespero que jazem somente a milímetro da superfície. Mas estamos determinado a superar nossas fraquezas, dominar nossos temores, conter nassas ansiedades. Eis por que são tão populares livros a respeito de auto-aperfeiçoamento, ou do tipo Como fazê-lo, as demais mais. Infelizmente estes esforços estão fadados a a fracassar. Ser uma pessoa não é algo que se possa fazer. Não é um desempenho. Talvez temos que dar uma parada para termos tempo de respirar e sentir. Talvez percamos a dor neste processo e se tivermos coragem para aceitá-lo, também sentiremos prazer. Se pudermos encarar nosso vazio interior , encontraremos um preenchimentos. Se pudermos atravessar nosso desespero, descobriremos a alegria. Talvez precisamos de ajuda para este empreendimento terapêutico.
Será destino do homem moderno, ser neurótico, ter medo da vida? Sim, se por um homem moderno definirmos o membro de uma cultura cujos valores predominante sejam o poder e o progresso. Uma vez que são estes os valores que assinalam a cultura ocidental no século vinte, decorre que toda pessoa criada na mesma é neurótica, sim.

O neurótico está sempre em conflito consigo mesmo. Parte do seu ser está tentando sobrepujar uma outra parte. Seu ego está tentando dominar seu corpo; sua mente racional, controlar seus sentimentos; sua vontade, supera medos  e ansiedades. Apesar de este conflito ser em grande parte de sua extinção ser inconsciente, seu efeito consiste em esvaziar a energia da pessoa e destruir sua paz de espírito. Neurose é um conflito interno. O caráter neurótico assume muitas formas, mas todas elas envolvem uma luta, no interior da pessoa, entre o que ela é e o que acredita que deva ser. Toda pessoa neurótica é prisioneira deste conflito.

A pergunta é! Como surge um tal estado de conflito interno? Por que o homem e a mulher  moderna padece deste conflito? No caso individual, a neurose emerge no bojo de um contexto familiar. A situação familiar, contudo,  reflete a cultural, pois a família está sujeita a todas as forças da sociedade da qual faz parte. Para entendermos a condição existencial do homem e da mulher moderna e conhecermos seu destino, devemos investigar as fontes de conflito de sua cultura.
Com alguns conflitos de nossa cultura estamos familiarizados. Por exemplo, falamos em paz, mas nós preparamos para a guerra. Defendemos a conservação ecológica mas, exploramos os recursos naturais com vistas ao lucro. Estamos comprometido com metas de poder e progresso e, no entanto , desejamos prazer, paz de espírito, estabilidade. Não nos damos conta que de que poder e prazer são valores opostos e que o primeiro exclui o segundo. O poder desencadeia, inevitavelmente, o conflito pela posse, o qual com frequência coloca pai contra filho, irmão contra irmão. É uma força divisível, dentro de uma comunidade. O progresso denota uma atividade constante que leva à mudanças do velho em novo, devido à crença de que o novo sempre é superior ao velho. Embora isto possa ser verdade em alguns casos ( na área técnica ), como crença é perigoso. Disto decorre que o filho é superior ao pai é que a tradição é somente o peso morto do passado. Existem culturas nas quais prevalece outros valores, nas quais o respeito pelo passado e pela tradição é mais importante do que o desejo de mudar. Nestas culturas, são minimizados os conflitos, é rara a neurose.

Os pais, como representante da cultura, tem a responsabilidade de inspirar nos filhos valores da mesma. Exigem de um filho atitudes e comportamentos destinados a inseri-lo na matriz social e cultural. Por outro lado, a criança resiste a estas exigências pois que significa uma domesticação de sua natureza animal. A criança tem que ser violada para que a façam pertencer ao sistema. Por outro lado, a criança deseja anuir com as mesmas a fim de garantir o amor e a aprovação de seus  pais. O resultado final dependerá da natureza destas exigências e do modo como serão cumpridas. Com amor e compreensão, é possível ensinar a uma criança os hábitos e rituais de uma cultura, sem violar seu espírito. Infelizmente, na maioria dos casos, o processo de adaptação de uma criança à cultura não deixa por menos; viola efetivamente seu espírito, tornando-a então neurótica, fazendo sentir medo da vida.




Referência
1.Organização Mundial de Saúde (2008) Classificação Internacional de Doenças 10a edição. http://
2. Zimmerman, 1994,
3. DSM-IV, 1994,
4. transtorno de personalidade dependente
  - http://www.mentalhealth.com/home/dx/dependentpersonality.html
5. Ansiedade , FREEMAN, Daniel
6. Fobia e Panico, TRINCA, Walter
7. Psicoterapia de Orientacao Analitica, ELZIREK,Claudio L.
8. Psicoterapia e Semiologia dos Transtonos  Mentais, DALGALARRONDO, Paulo
9. Manual de Tecnica Psicanalitica,  Zimmerman
10. Psicologia, DAVID G.MYERS
11. Medo da Vida, Alexander LOWEN
12. Meus tempos de ANSIEDADE, SOTT STSSEL

       
  José Valter Rodrigues Lima

Psicanalísta Clínico e Mestre em Psicanálise Aplicada  à Educação e Saúde

sábado, 31 de outubro de 2015

O QUE É ANSIEDADE? Inata ou Adquirida

A ansiedade não esvazia o sofrimento do amanhã, mas esvazia a força do presente, o hoje. 


Na abordagem psicanalítica analisamos a ansiedade como uma sensação virtualmente presente em qualquer pessoa e funciona como importante sinal de alerta, ou seja, todos os indivíduos possuem ansiedade em maior ou menor grau. Tornando-se patológico caso traga prejuízos significativos na vida do indivíduo.
Por exemplo, é normal quando um indivíduo apresenta uma palestra ou um seminário que se sinta ansioso alguns minutos antes de iniciar, porém, quando a ansiedade apresenta prejuízos na vida tais como:  insônia, taquicardia, calafrios, sudorese, falta de ar, tremores e etc. Podemos analisar que é necessário uma intervenção psicoterapêutica (psicólogo) e psiquiátrica(médico psiquiatra) .

O QUE É ANSIEDADE?

Ansiedade é um mecanismo de defesa(uma resposta de defesa), é uma reação ao perigo percebido. Ansiedade é um "aviso", um alerta que nosso corpo emite, de que algo não está bem, que há algum perigo percebido, real ou não, interno ou externo.
A ansiedade em níveis exagerados passam a não mais nos proteger mas a paralisar diante de coisas que não merecem tanto medo,


" O assassinato, assim como o talento, às vezes ser de família " , ironizou o escritor vitoriano G. H. Lewes. Se estivesse falando sobre a ansiedade, Lewes poderia ter- se permitido um pouco mais de certeza. De fato, ao que parece, a ansiedade é de família. Por exemplo, uma pessoa propensa a ansiedade grave provavelmente tem um pai ou uma mãe - e mesmo uma avó ou avô - com o mesmo problema.
Por quê? Nós herdamos a ansiedade através de Genes, ou a aprendemos com nossos parentes mais próximos? Os níveis de ansiedade estão gravados biologicamente em nossos circuitos neurais, ou são produtos das experiências de vida, isto é, de nosso meio? Ao longo dos anos, ambas foram estudadas por especialistas. A seguir procuramos descrever a origem da ansiedade e responder se é inata ou Adquirida.

ANSIEDADE TEM  CONTRIBUIÇÃO GENÉTICA ?


Todos nós estamos familiarizado com o termo gene, e a maioria das pessoas sabe que os genes estão envolvidos na transmissão de característica de país para filho. Mas, para além disso, podemos ficar um pouco confuso. Então, o que exatamente são os genes?

Vamos ver: cada célula em nosso corpo contém 23 pares de cromossomos, que são estruturas compostas de ácido desoxirribonucleico, chamados DNA,  e outras substâncias bioquímicas. Uma de cada par e herdado da mãe e o outro do pai. Cada cromossomos, em cada célula, milhares de genes - essencialmente, molécula de DNA estendidas - que contêm as regras biológicas que determinam o nosso desenvolvimento.  Com a exceção dos gêmeos idênticos, a composição genética de cada indivíduo é diferente.

Como podemos saber se os genes são responsáveis pela ansiedade ou por qualquer outra característica? Um ponto de partida razoável é o histórico familiar. No entanto, embora essa estratégia possa salientar uma similaridade entre membro de uma mesma família, não nos ajude a decidir se essa similaridade ou agregação familiar é resultado dos genes ou do meio. Afinal, as famílias costumam ter em comum uma boa parte de ambos.

Dito isso, certos tipos de família fornecem aos estudiosos no assunto uma importante maneira de desfazer o nó gene/meio. Essas famílias são as que têm gêmeos idênticos. Os fraternos se desenvolve a partir de óvulos separados, dai o termo técnico dizigóticos, que foram fertilizados por espermatozoides, diferentes. Como todos os irmãos, os gêmeos fraternos tem 50% de genes em comum. Os gêmeos idênticos  ou monozigóticos , por outro lado , resultam da fertilização, por um único espermatozoide, de um óvulo que posteriormente se divide em dois. Em consequência, sua composição genética é exatamente a mesma. Se um transtorno de ansiedade, por exemplo, tem mais probabilidade de ser partilhado por gêmeos idênticos do que gêmeos fraternos, podemos ter quase certeza de que a diferença é resultado de fatores genéticos.
Quase certeza, mas não certeza absoluta, porque gêmeos idênticos pode ter mais experiência em comum do que gêmeos fraternos, embora que o meio exerça influência similar em ambos os tipos de gêmeos. É aqui que entram os estudos sobre adoção. Imagine, por exemplo, que gêmeos idênticos foram separados no nascimento é destinados a família  adotivas diferentes. ( É claro que isso não é algo que ocorre todos os dias; mesmo assim, acontece e tem sido estudado por geneticistas comportamentais)
Cada um dos gêmeos é criado com seu irmão adotivos. Porém, apesar de partilharem do mesmo ambiente familiar durante a infância, quando avaliados na idade adulta, os gêmeos e seus irmãos adotivos têm níveis de ansiedade diferentes. Há, entretanto, uma correlação significativa entre os níveis os dos irmãos gêmeos, apesar do fato de que eles nunca se encontrariam, e entre os níveis dos gêmeos e os de seus pais biológicos. Entre os níveis de ansiedade dos gêmeos e os de seus pais adotivos não há correlação. Estudos desse tipo é difícil realizá-los, sobretudo gêmeos idênticos são relativamente raros.
No caso de ansiedade, as pesquisas indicam que os genes exerce um papel. Todos se sentem ansiosos de tempos em tempo; dificilmente seríamos humanos se não fosse assim. Contudo, a frequência, a intensidade e a duração de nossos episódios de ansiedade são parte de nossa personalidade.
Os psicólogos e psicanalistas chamam de neuroticismo está predisposição à ansiedade algo que todos temos em maior ou menor grau. Estima-se que a hereditariedade do neurocetismo é em torno de 40%. Os transtornos de ansiedade são, em parte, hereditários - em torno de 20 a 40%. As pesquisas mostram que alguns dos estilos de personalidade típica de pessoas com problema de ansiedade - por exemplo, a tendência a interpretar acontecimentos ambíguos como potencialidade perigosos ou uma hipersensibilidade às mudanças fisiológicas desencadeada pela ansiedade - também são em  parte hereditários. O que significa hereditariedade? Para o caso acima não significa que 40% das diferenças dos níveis de neuroticismo de uma pessoa é necessariamente resultado da genes. O que significa é que em torno de 40% das diferenças nos níveis de neuroticismo em toda a população pessoa provavelmente têm origem genética. Portanto, a hereditariedade não nos diz nada a respeito de casos individuais; só é relevante para grandes amostras estáticas. O resultado das diferenças entre as pessoas são produtos de fatores associados ao meio.

ANSIEDADE TEM A CONTRIBUIÇÃO AMBIENTAL?

Por mais importantes que seja os genes para a experiência de ansiedade, o meio faz uma contribuição ainda mais significativa. Como vimos, as pesquisas indicam que os fatores genéticos determinam até 40% da hereditariedade da ansiedade - o que significa que o meio responde por 60% ou mais. Então, quais são os fatores de risco ambientais para o os transtorno de ansiedade?
Ainda é pouco sabido sobre como as experiências da idade adulta contribuem para o problema. Em vez disso, o foco incidiu em experiências da infância, e quatro em particular: trauma e outros acontecimento perturbadores; estilo de criação dos pais; estilo de apego e aprendizado.

Porém, antes de examinar em mais detalhe esses quatro fatores, lembramos que nenhum deles é causa determinante de transtorno de ansiedade. Por exemplo, muitas pessoas sobrevivem a uma infância traumática sem desenvolver problema de ansiedade, e muitas das que sofrem deu-me um transtorno de ansiedade tiveram uma infância relativamente feliz. Como vimos com relação aos genes, o processo de causalidade é muito mais complexo, e na verdade pode envolver uma interação complexa entre componente genética e experiência de vida.

Traumas e outros acontecimentos perturbadores como fatores que geram ansiedade

Inúmeras pesquisas mostram que crianças expostas a experiências traumáticas ou desagradáveis, como bullying ou provocações, conflitos domésticos, abuso físico ou sexual, ou morte de um dos pais têm maior risco de desenvolver transtorno de ansiedade.
O psicoterapeuta e sua equipe Murray Stein pesquisaram 250 adultos canadenses, metade dos quais haviam sido diagnosticados com transtorno de ansiedade e metade ( grupo de controle ) selecionado de forma aleatória  entre a população da cidade. Eles verificaram que 15,5% dos homens e 33,3% das mulheres com transtorno de ansiedade haviam sofrido abuso físico quando criança em comparação a 8,1% do grupo de controle. De maneira similar, o o abuso sexual infantil era muito mais comum entre as mulheres com transtorno de ansiedade(45,1%) do que entre mulheres do grupo de controle ( 15,4%).
Perguntar por esses tipos de experiências resultam em problemas de  ansiedade pode parecer redundante. Não é de supreendentemente que crianças que foram espancadas ou sofreram abuso sexual tornarem más medrosa do que a média. Logo, assim como com todos os fatores genéticos ou ambientais que contribuem para a ansiedade, não há nada de inevitável nesse processo. Muitas crianças sofrem traumas aterradores e, ainda assim, não desenvolvem transtorno de ansiedade.
 Para os casos que resultem em transtorno de ansiedade, os psicoterapeutas e psicanalistas tentaram identificar os padrões de pensamento e comportamentos subjacentes. Afirmou-se, por exemplo, que crianças que não receberam os cuidados de que necessitavam forma opiniões sombrias  a respeitos de se mesmo e de outras pessoas. O mundo pode parecer um lugar perigoso, e elas talvez não tenham fé em sua capacidade de lidar com ele.
Paralelamente, em perspectivas diferente, os neurobiologos assinalaram que animais expostos a estresse prolongado sofrem mudanças permanentes no celebro, o os torna especialmente suscetíveis a ansiedade. Talvez essas primeiras experiências de vida provoquem uma mudança similar nas crianças.

É UM ESTILO DE CRIAÇÃO?

Os problemas de Ansiedade não são apenas de pais abusivos ou negligentes. Pais que tentam controlar o comportamento dos filhos com demasiado rigor - possivelmente por um desejo de protegê-los - podem sem querer, enviar a mensagem de que o mundo é um lugar perigoso. Eles também roubam da criança a chance de descobrir que, de modo geral, elas é capaz de lidar com os problemas que encontra.

Quando os psicólogos/ psicanalistas solicitam que adultos ansiosos e não ansiosos falem sobre infância, os adultos ansiosos tendem a descrever os pais como super protetores ou controladores. É claro que as memórias nem sempre são confiáveis. No  entanto, existem alguns estudos observacionais com crianças que corroboram essas descobertas. Um estudo, por exemplo, pediu a crianças clinicamente ansiosas e não ansiosas que resolvessem uma série de problemas difíceis. Os pais presentes sabiam a solução, mas eram aconselhados a "se envolver somente se a criança realmente precisar". Logo ficou claro que os pais de crianças ansiosas tinham muito mais probabilidade desse intrometer do que dos outros pais. Agora, se essa tendência a controlar comportamento da CRIANÇA se revela em um contexto relativamente inofensivo, como seria em situação em que o risco potencial é maior?
Embora este é outro estudo indique uma associação entre pais superprotetores ou controladores e a ansiedade da criança, eles não ajudam a explicar a questão da causalidade. Em vez de produzir ansiedade nas crianças, esse tipo de atitude por parte dos pais talvez seja a resposta à ela. O tipo de pesquisa que poderia responder essa pergunta, avaliar pais e filhos durante anos, e não,em um momento específico, é bastante raro. Contudo, os que existem apontam para uma interação entre temperamento da criança e o estilo de criação do adulto ( pais ou cuidadores).
Um estudo descobriu que era possível prever o nível de medo de uma criança pequena examinando a frequência com que esta, quando bebê, recebeu colo da mãe quando não precisava de ajuda. Porém, isso só era verdade com relação às crianças que quando bebês ficavam muito irritados ao se depararem com pessoas ou situações novas. Dai que a superproteção dos pais pode ser uma reação ao nervosismo inato da criança, mas uma reação que exacerba esse nervosismo - o que, por sua vez, desencadeia comportamentos ainda mais protetora e controladores por parte do adulto.

É UM ESTILO DE APEGO ?

Um ponto de vista alternativo sobre as relações entre pais e filhos e sua influência sobre a ansiedade e fornecido pelas pesquisas sobre o estilo de apego.

Os recém-nascidados tendem a não estar muito preocupados com quem está proporcionando-lhes o cuidador a atenção de que necessita. Como você talvez tenha notado, eles normalmente gostam de ser passados de um adulto a outro, mesmo que nunca os tenha conhecido.

Isso tudo muda entre os sete e os nove meses de idade. Aos poucos, o bebê desenvolve um apego - definido por Jerome Kagan como " uma relação emocional intensa que é específica a duas pessoas, que perdura por muito tempo e em que a separação prolongada do parceiro e acompanhada de estresse e tristeza" - a pessoa em particular. Em geral essa pessoa e a mãe, porque é ela que quem costuma cuidar da criança a maior parte do tempo, mas pode ser uma outra pessoa esse papel, exemplo: a babá, a avó, enfim uma cuidadora que passe muito tempo cuidando da criança. O bebê chora quando a mãe vai embora, isso é conhecido como ansiedade de separação, e se agarra a ela quando pessoas estranhas estão por perto, a chamada ansiedade diante de estranhos.
John Bowlby ( 1907 - 1990 ), afirmou o desejo de apego e inato: somos geneticamente programados para formar esses vínculos porque eles representam nossas melhores chances de sobrevivência. Bowlby acreditava que nada é tão importante para o futuro bem-estar de um indivíduo quanto essas primeiras relações.

É possível ter uma ideia um tanto confiável do estilo de apego de uma criança do usando a técnica da "situação estranha" concebida por Mary Ainsworth ( 1913- 1999) nos anos 60.
A situação estranha começa com o pesquisador recebendo o bebê - normalmente por volta de um ano de idade - e a mãe na sala onde o experimento será realizado. O pesquisador sai, e o bebê fica livre para explorar os brinquedos chamativos espalhados pela sala. Alguns minutos depois, um estranho entra. No início, o estranho fica em silencio, mas depois de um o dois minutos começa a conversar com a mãe; depois, cumprimenta a criança. A mãe sai; três minutos depois, ela volta e o estranho sai. A mãe deixa o bebê sozinho por alguns minutos antes de o estranho reaparecer. Então a mãe retorna, o estranho sai, e o experimento termina.

O que é crucial é a reação do bebê à ausência  e ao retorno da mãe. Crianças com apego seguro ficam felizes em explorar a sala enquanto a mãe está presente, mas ficam pouco incomodadas quando ela sai e alegres quando quando ela volta. Crianças com um apego de estilo ansioso- resistente grudam na mãe, não importa o quão chamativos sejam os brinquedos espalhados pela sala, e ficam perturbadas quando ela sai. Embora a criança ansiosa - resistente corra para a mãe quando ela volta, ela empurra a mãe, ou mesmo bate nela.

A criança ansiosa-evitaria, por outro lado, tende a ignorar  a mãe quando ela está por perto  e a não se preocupar muito quando ela sai. Quando a mãe reaparece, recebe o mesmo tratamento indiferente de antes.

Em um estudo notável, os psicólogos e psicanalistas entrevistaram 172  jovens de dezessete anos, todos os quais haviam passado pela avaliação da situação estranha aos doze meses de idade. Eles descobriram que os bebês que haviam manifestado  um estilo de apego ansioso - resistente apresentaram uma tendência maior a desenvolver o transtorno de ansiedade. Porque isso acontece? Em geral, o comportamento ansioso resistente reflete as tentativas da criança de lidar com uma criação marcada por atitudes inconsciente e imprevisíveis por parte dos pais, em que o tipo e recepção que elas têm depende totalmente do humor  da mãe ou do pai no momento . Possivelmente esse estilo de criação incute uma sensação de insegurança na criança, fazendo- a temer que ninguém vira em seu socorro se ela tiver algum problema. Em conseqüência disso, a criança está sempre em alerta para o perigo. Talvez também exista uma sensação de que o comportamento da mãe ou do pai é reflexo da insignificância da criança e, por implicação, de sua incapacidade de lidar com desafio e perigos.

Você pai, você mãe talvez tenha notado que as crianças ansiosas-evitarias nesses estudo não apresentaram maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade posteriormente. Esse tipo de apego costuma ser produzido por pais que ignoram a criança com frequência. Talvez essas crianças aprendam a controlar a ansiedade que esse tipo de criação pode desencadear desenvolvendo uma independência protetora. Ao contrário das crianças ansiosas-resistente, que as vezes podem encontrar carinho e proteção nos pais, as crianças ansiosas -evitavas percebem que não tem outra escolha senão cuidar de si mesma.

É um Aprendizado ?

Muitos dos nossos medos são aprendidos? Sim, e não só com o que acontece conosco, mas também com as pessoas à volta - seja com base no que elas nos contam explicitamente ou no modo como se comportam. Para a maioria das pessoas, ninguém é mais influente do que os pais, embora, sem duvida, também possam aprender com outros adultos importantes e com seus pares.

A capacidade instintiva de uma criança para aprender com os pais foi demonstrada em um experimento realizado pelos psicólogos Friederike Gerull e Ronald Rapee que eles mostram a trinta crianças pequenas uma cobra de borracha verde e, em seguida, uma aranha de borracha roxa e estudaram suas reações. Enquanto os brinquedos eram mostrados , as mães das crianças foram orientadas a reagir de modo feliz e encorajador ou de modo assustado e repulsivo.

Mas tarde, a cobra e a aranha foram mostradas mais algumas vezes as crianças , mas nessas ocasiões a reação das mães foi absolutamente neutra. Os psicólogos observam que era possível prever como uma criança reagiria ao brinquedo quando o visse novamente, porque ela imitava a reação inicial das mãe. Se a mãe havia fingido medo, a criança ficava assustada.

Por outro lado, se  a mãe se mostrava calma  e feliz, a criança reagia da mesma maneira. Esta pode ser uma lição útil para pais preocupados. Embora os filhos possam copiar os comportamentos negativos dos pais, eles também podem aprender mensagens positivas. Os pais podem ajudar seus filhos a superar a ansiedade mantendo uma atitude otimista e tranquila com relação aos problemas da vida em geral e às situações que elas, crianças, consideram assustadoras em particular.

A  Ansiedade para Freud

A ansiedade está ligada com a expectativa que possui o individuo, ansiedade por algo. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, classificava a ansiedade em três tipos: Realística, Neurótica e Moral. Sendo elas: A realística seria o medo de alguma coisa do mundo externo (por exemplo: punição dos pais).  A ansiedade moral seria aquela que decorre do medo de ser punido (sentirei culpa se fizer o que estou querendo fazer). E a ansiedade neurótica que é o medo inconsciente, não se sabe qual é o objeto. Esta ultima ocorre devido a natureza perturbadora e assustadora, cuja consciência não possui estruturas no momento, porém quando é analisada a ansiedade se torna realista ou moral.


Na teoria freudiana, o ego do indivíduo desenvolve uma proteção contra a ansiedade que consiste em negações inconscientes ou distorção da realidade. Chamamos essa proteção de mecanismos de defesas, simplificando, poderíamos dizer que os mecanismos fazem com que o indivíduo possua algumas anormalidades para preservação de seu ego.
Os mais comuns transtornos associados à ansiedade descritos na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que atendo em meu consultório são:
Transtorno do pânico, Agorafobia (medo de locais onde há multidão pelo fato de pensar não poder sair ), Fobia sociais (medo da humilhação no contexto social, sente-se exposto a julgamento e avaliação de outrem), Fobias específicas (as simples fobias: medo de objetos ou situações). Transtorno de Ansiedade generalizada (TAG) (Sem situação especifica), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) (ideias obsessivas ou comportamentos compulsivos).
Cada caso um destes casos são tratado de forma diferente, e com um acompanhamento psiquiátrico, pois remete a um tipo distinto da origem da ansiedade, por isso, não existe uma receita pronta.




Referência
1.Organização Mundial de Saúde (2008) Classificação Internacional de Doenças 10a edição. http://
2. Zimmerman, 1994,
3. DSM-IV, 1994,
4. transtorno de personalidade dependente
  - http://www.mentalhealth.com/home/dx/dependentpersonality.html
5. Ansiedade , FREEMAN, Daniel
6. Fobia e Panico, TRINCA, Walter
7. Psicoterapia de Orientacao Analitica, ELZIREK,Claudio L.
8. Psicoterapia e Semiologia dos Transtonos  Mentais, DALGALARRONDO, Paulo
9. Manual de Tecnica Psicanalitica,  Zimmerman
10. Psicologia, DAVID G.MYERS

       
 José Valter Rodrigues Lima

Psicanalísta Clínico e Mestre em Psicanálise Aplicada  à Educação e Saúde






quarta-feira, 29 de julho de 2015

Liberte-se da dependência


"Em qualquer relacionamento no qual duas pessoas se torna, uma, o resultado final é duas meias pessoas"

Ser independente psicológico é uma tarefa difícil da vida. A víbora da dependência intromete-se no nosso dia a dia de muitas maneiras, e sua completa extirpação torna-se mais difícil pelas numerosas pessoas que se beneficiam da dependência psicológica dos outros. Independência psicológica significa liberdade total quanto a todos as relações obrigatórias e ausências de comportamento dirigido pelos outros. Significa torna-se livre de ter que fazer algo que, de outra maneira, não se escolheria fazer, se não existisse o relacionamento. A questão de abandonar a dependência é especialmente difícil, porque nossa sociedade nos ensina a corresponder a certas expectativas em relacionamentos especiais, que inclui país, filhos, autoridades e entes queridos.

Abandonar a dependência, ou seja, deixa o ninho psicológico significa viver e escolher os comportamentos que desejar. Não quer dizer rompimento, em sentido algum da palavra. Se você gosta da maneira como interage com quer que seja, e se não interfere em suas metas, então isso constitui algo que você pode considerar precioso, em vez de querer mudar.  A dependência psicológica, por outro lado, significa que você tem relacionamento que não envolve escolha, nos quais você é obrigado a representar algo que não deseja. E se ressente da maneira pela qual é forçado a se conduzir. Esse é o ponto central desse ponto fraco seu e é parente próximo do ponto fraco         "procura de aprovação". Se você quer alguma espécie de relacionamento, isso não o torna doentio. Mas se ele constitui uma necessidade, ou se você é forçado a ele e, depois, ressente-se, então está numa área autodestrutiva. É a obrigação que constitui um problema, não o relacionamento.
Obrigação gera culpa e dependência, enquanto a escolha estimula o amor é a independência. Não há escolha numa relação psicologicamente dependente e, em consequência, sempre haverá indignação e mal-estar em tal aliança.

Ser  psicologicamente independente envolve a condição de não precisar dos outros. Eu não disse querer os outros, mas precisar. No momento em que você precisa, torna-se vulnerável, um escravo. Se a pessoa de quem você precisa vai embora, muda de ideia ou morre, você é forçado à imobilidade, desaba, ou mesmo morre. 
Mas a sociedade nos ensina a ser psicologicamente dependentes de muitas pessoas, a partir dos pais, e pode ser que você se surpreenda com sua dependência quanto a muitos relacionamentos importantes. Enquanto você sentir que deve fazer alguma coisa porque é isso que se espera de você em determinado relacionamento, e que o fato de fazer cria qualquer ressentimento, ou o de não fazer qualquer sentimento de culpa, pode ter certeza de que você precisa de um acompanhamento psicológico/psicanalítico nesse ponto fraco.

A eliminação da dependência começa com sua família, com a maneira pela qual seus pais lidaram com você quando criança e com a forma pela qual você lida com os seus filhos. 

Jose Valter Rodrigues Lima
Psicanalista clínico e Mestre em Psicanálise Aplica a Saúde e a Educação

sábado, 25 de julho de 2015

Avós, filhos e Netos — Uma Relação de Infinito Afeto.


"Minha avó foi para a universidade aos 67 anos. Sendo assim posso ir com qualquer idade." (Miley Cirus)

" Não despreze a tradição que vem de anos longínquo; talvez as velhas avós guardem na memória relatos sobre coisas que alguma vez foram úteis para o conhecimento dos sábios." (Tolkien)

A celebração do Dia dos Avós acontece no próximo domingo, dia 26 de julho, data em que homenageamos aqueles que se tornam avós — voluntário ou involuntariamente — e passam a exercer um papel determinante no desenvolvimento e no equilíbrio emocional dos netos.  

A relação que nasce entre avós e netos, é terna, infinita e, mesmo que não tenha sido opcional assumir tal papel, não há como negar que é um bem-querer que vai além da vida, onde suas sábias palavras e experiências de vida — nem sempre bem-vindas, mas verdadeiras — servirão como um ponto de referência, essencial e indispensável para toda a família.  

Tornar-se vovó e vovô , significa rever, reformular, vivenciar e estabelecer com os netos um relacionamento mais livre e criativo, transmitir experiências, valores, educação e cultura, com todo o enriquecimento pessoal e o crescimento que isto envolve, pois são capazes de serem amigos, ter autoridade — quando necessário —,  afetuosos, compreensivos e mais disponíveis a conceder, mantendo assim um lugar insubstituível no coração dos netinhos.

É na relação com os avós que as crianças aprendem a lidar com os mais velhos e a se preparar para um futuro relacionamento com os próprios pais, que também irão envelhecer. 

É notório que muitos pais ainda desconhece o verdadeiro papel dos avós e essa data , e deixam de celebrá-los .

Os avós são pessoas ligadas a nós através de laços consanguíneos, pois são os pais dos nossos pais. Assim, cada pessoa tem quatro avós, sendo uma avó e um avô paterno e uma avó e um avô materno.


Pode-se dizer que a figura dos avós aos poucos, foi se achegando, se encaixando e conquistando um novo papel de importância dentro do seio familiar e, muito embora, esta data seja aproveitada pelo comércio para promover produtos publicitários, o Dia dos Avós é comemorado a cada ano com maior empenho pelas famílias, pois nos dias de hoje, em que os pais não têm tempo para os filhos, são os avós que podem suprir muito das  funções, quando os netos os procura para alguns conselhos, não apenas para ser cuidadores.

É claro que os avós de hoje são diferentes dos do passado, tanto que é possível perceber que está crescendo uma nova geração de avós cheios de vitalidade, que querem curtir o tempo e a liberdade alcançada depois de anos de sacrifício e de trabalho, para criar seus filhos.

Talvez esses avós não queiram ser cuidadores, porém companheiros, não preparem  deliciosos quitutes e nem contem as fábulas, mas a presença deles é igualmente importante e válida para o crescimento da criança.  É um relacionamento onde os dois lados só têm a ganhar, principalmente, na troca de experiências, já que os avós ensinam suas experiências de vida aos netos e, estes ensinam, aos avós, as novas tecnologias. 

O fato é  que nos dia de hoje, a contribuição vai muito além do brincar, levar as crianças à escola, preparar coisas gostosas, contar casos divertidos e, é claro, mimar. Torna-se visível que os avós estão assumindo um papel muito mais importante na família, pois além da educação, dão suporte financeiro e afetivo para seus filhos e netos; mergulham nas ondas da internet; respondem e-mails; entram em redes sociais; relacionam-se com outros avós;  dividem espaço com uma carreira, enfim, voltam até a estudar em busca de novos horizontes, pois ao mesmo tempo em que adquirem conhecimento, também passam a fazer parte e a entender um pouco mais sobre o mundo dos jovens de hoje ( inclusive seus filhos ), tornando-se assim uns avós mais felizes e realizados.  

Celebrar o Dia dos Avós significa comemorar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza.  Por isso, manter os laços afetivos e  estar  em contato com eles, certamente aumentará sua auto-estima, trazendo felicidade, ajudando-os, assim,  a se sentirem melhor. O prazer de suas vidas é prepara o lar para receber os netos ver a família toda reunida, em harmonia, com saúde, felizes e integrados e, com certeza, esses são fatores que ajudam a prolongar a vida de qualquer ser humano.


Ser avô e avó é como fazer uma colcha de retalho...é juntar pedaço por pedaço de cada quadradinho, de cada retângulo, de tamanhos diferentes, de cores diferentes mas sempre cores vivas, alegres, cheias de vida e transformando aqueles pequenos retalhos num ato de amor, mesmo que cada um tenha estilo próprio.

Nossos pais, nossos filhos, nosso netos : como conciliar atenções?

Ser avó e avô, para muitos, é a chegada da terceira idade e traz uma série de mudanças e não se trata apenas daquelas que estão relacionadas ao corpo e fazem parte do processo natural de envelhecimento.

No lado profissional, por exemplo, é a hora de desfrutar da merecida aposentadoria, depois de anos de dedicação. Mas isso não significa ficar totalmente inativo. Muito pelo contrário: ao se aposentar, você ter oportunidades de realizar atividades que foram deixadas em segundo plano por falta de tempo, como um novo hobby, um curso diferente de sua área de atuação, viagens...

Já no lado pessoal, a principal mudança ocorre com a saída dos filhos de casa. Por mais que você tenha escutado que se cria os filhos para o mundo, é no momento que isso acontece que os impactos aparecem. O fenômeno até ganhou um nome dos especialistas: síndrome do ninho vazio, que afeta pais e mães por diferentes motivos.

No caso delas, há uma sentimento de ociosidade, por não serem exigidas pelos filhos o tempo todo. Já os homens se sentem impotentes por perderem o posto de responsável financeiro da família.

No entanto, é possível enfrentar muito bem essa fase. Aos pais, é lógico, cabe aproveitar intensamente a nova fase, buscando novos interesses. Já os filhos podem apoiá-los com algumas atitudes simples:

•   estimular o convívio dos pais com a nova família – mostre que eles são parte dela também;
•   enfatizar a importância deles no seu sucesso e na sua nova vida – agradeça, sempre, as oportunidades que lhe deram e os sacrifícios que fizeram por você
•    manter contato frequente e fazê-los se sentirem importantes;
•    incentivá-los em novas atividades – mostre que o tempo livre pode ser bem aproveitado e divertido;
•    não procurá-los apenas quando for conveniente.

Aos netos, um novo na vidas dos avós!!!!!