quarta-feira, 6 de março de 2024

O QUE É AMARGURA?

 Uma das palavras bíblicas para amargura descreve literalmente o sabor amargo de certas comidas e bebidas. O verbo traduzido por "ser amargo" significa "cortar" ou "perfurar". Você pode pensar sobre amargura como uma ferida interna, autoinfligida e é isso mesmo.

 A Bíblia, contudo, diz que essa atitude ressentida e não perdoadora cortará e perfurará a outros também. A amargura é o resultado de não perdoarmos alguém. Estar amargurado com alguém é não ter verdadeiramente perdoado a pessoa. Em outras palavras a amargura é o resultado de reagir de maneira inapropriada (não bíblica) a uma ofensa .

As Escrituras comparam amargura a uma raiz: Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados. (Hb 12.15) Raízes precisam ser plantadas. Então, deixe-me perguntar: "Qual semente você imagina que quando plantada no solo dos nossos corações produz uma raiz de amargura?" Tratando de modo amplo, essa semente é uma mágoa. 

 Quando alguém te magoa, é como se a pessoa plantasse a semente de amargura no solo do seu coração. Nesse momento, você pode escolher reagir de duas maneiras. Você pode tanto arrancar a semente perdoando o ofensor ou pode cultivá-la lembrando-se da mágoa o tempo todo em sua mente. A amargura é o resultado de insistir em pensar por muito tempo na mágoa. Repito, é a indicação pensar por muito tempo na mágoa. Repito, é a indicação de que o ofendido não perdoou ao ofensor verdadeiramente (Mt 18.34-35). 

 A mágoa pode ser real ou imaginária; não faz diferença. O resultado é o mesmo. Se você não lida com ela biblicamente, se tornará amargo. Se eu magoar você como resultado do meu pecado ou ofensas e você escolher não deixar passar ou não cobri-lo com amor (Pv 17.9; 1 Pe 4.8), deverá seguir Lc 17.3 e me procurar com a intenção de me conceder perdão, e, eu preciso me arrepender. Se você ficar magoado como resultado de algo que fiz que não é pecado, você deve se arrepender do seu modo de pensar não bíblico, que fez com que ficasse "ofendido" com alguma coisa.

O relacionamento simbiótico

 A maior parte das pessoas passa a vida toda sem conhecer as leis secretas que existem em seu inconsciente. Um grande número também não consegue flexibilizar seus papéis e não resiste à tentação de se apoiar na imagem. Essa pessoa que tem conflitos conscientes e inconscientes desconhecidos por ela chega à vida adulta e conhece um outro ser humano também cheio de conflitos. E eles se apaixonam.

Vamos supor que o ser humano homem, em função de seu temperamento e de um processo educacional determinado, tenha se transformado em alguém que é mais impulso que norma. O outro ser humano, uma mulher, pelas mesmas razões de temperamento e educação, transformou-se em alguém que é mais norma do que impulso. Que tipo de relacionamento eles vão ter? Vão montar uma unidade na qual o homem vai ser o impulso do casal, e a mulher, a norma do casal. E os dois se transformam numa pessoa só.

Parece tão bonito que até a Igreja propõe que eles sejam dois em um. Encontrar a outra metade da laranja. Mas o que acontece é uma patologia terrível. Por quê? Porque ele vai encontrar nela um meio de controlar seus impulsos. Ela será seu freio de mão, seu grilo falante. A mulher, por sua vez, vai viver no homem um impulso que ela reprime nela, que ela aprendeu que deve ser condenado. Mas como não pode viver sem o impulso - porque ele é natural -, ela vai vivê-lo no seu parceiro.

Como? Suponha que João é um homem cheio de planos, não conhece limites, vive a mil, é irresponsável e inconsequente, uma verdadeira cigarra. João conhece Maria, uma moça responsável, honesta, cumpridora de seus compromissos, uma formiga trabalhadora. Eles se apaixonam. O fato de João ser um acelerador, alguém que vive seus impulsos sem pensar muito, foi o que conquistou o coração de Maria. Ela admira o fato de ele não sentir medo. O fato de Maria ser extremamente responsável foi o que conquistou o coração de João. Ocorre, no entanto, que ambos vão viver no outro o que condenam em si. Por isso, depois do casamento, Maria começa a brigar para que João deixe de ser um acelerador, beba menos, trabalhe um pouco, não estoure com tanta frequência a conta no banco. João briga para que Maria deixe de ser o freio, deixe de ser a estraga-prazeres.

O casamento simbiótico é como encontrar a metade da laranja. É desistir de ser inteiro para virar uma pessoa feita de duas. Um precisa do outro para reequilibrar o seu móbile. O acelerador precisa do freio senão se perde, entra em síndrome de pânico. E o freio precisa do acelerador para que a vida tenha algum sabor, não seja feita só de responsabilidades.

A única saída é trabalhar exatamente aquelas características que você condena em si mesmo e que vê no outro. Nas cigarras, por exemplo, a gente deve trabalhar a norma para que a pessoa aprenda a tomar conta de si. Nas formigas, deve-se trabalhar o impulso.

Sem isso, o que acontece nesse casamento simbiótico?

Primeiro, é uma situação profundamente infeliz. A mulher detesta o marido porque ele diz e faz coisas que ela condena. O marido detesta a mulher porque ela é um peso. A tragédia, no entanto, é que eles não podem se separar porque um precisa do outro. A separação é uma dor terrível, parece que cada um perde um pedaço de si mesmo. Uma vez, um paciente definiu isso muito bem. Ele disse que morria de dor por ter perdido uma coisa que ele não queria.

Além de dolorosa, a separação é inútil. Por quê? Porque o cidadão fica dois ou três meses sozinho, e então, começa de novo a correr atrás de outro freio. Ele troca o CIC e o RG da mulher, mas se casa novamente com uma pessoa com as mesmas características.

Na maioria dos casos, em vez de se separar, o casal simbiótico acaba sustentando o seu relacionamento por meio da relação extraconjugal. O casamento fica tão ruim que é preciso arranjar um ladrão para a caixa-d'água não transbordar. A função do amante é manter o casamento. Às vezes, acontece de a paixão pelo outro desestruturar o casamento. Então, a paixão só serviu de motor de arranque. O casamento já estava acabado. Você se apaixona e aí cria coragem para desestruturar o que já estava desestruturado, em vez de ficar mantendo o ladrão da caixa-dágua. Só que aí você enfrenta o objeto da sua paixão, e a paixão vai terminar também, porque o problema fundamental, o seu problema com você, não foi resolvido.

A maior parte das pessoas tem seu desajuste na área pessoal, e não na profissional, porque no campo profissional os limites já estão estabelecidos. Vou trabalhar numa empresa e, quando chego, ja existe um procedimento a seguir. Nos relacionamentos familiares, a norma não está escrita; a gente tem de estabelecer a norma através do diálogo, e isso é muito complicado, tão complicado que todo mundo diz que a happy hour é para relaxar depois do trabalho. Mentira! O trabalho é que é o repouso do guerreiro. A gente toma um aperitivo depois do expediente para poder enfrentar o dragão que é a vida familiar

terça-feira, 5 de março de 2024

Codependência e Vicio Relacional - SINDROME DA COITADINHA


Codependência e vicio relacional

Codependência é uma condição psicológica ou uma relação na qual uma pessoa é manipulada por outra pessoa com problemas emocionais ou físicos. Isso acontece quando alguém se torna extremamente dependente do outro.

Comumente a pessoa assim menospreza suas próprias necessidades e se preocupa de forma excessiva com as de outras pessoas. A codependência(síndrome da cuidadora) pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento: na família, no casamento, no trabalho, em amizades ou na vida em comunidade. A pessoa codependente pode ser caracterizada por negação, baixa estima, conformismo excessivo, e por assumir responsabilidade pela vida de outros, mantendo certos padrões de controle.

Pessoas com dependência emocional (pessoas centradas em si mesmas de forma exagerada nos seus problemas) são ímãs naturais para a pessoa codependente ou quem tem síndrome da cuidadora. Alcoólatras, pessoas com dependência química, pessoas com dependências financeiras e que tem dificuldades de se estabelecer financeiramente, personalidades vitimista e adultos imaturos, e outros distúrbios emocionais, geralmente têm pelo menos uma pessoa codependente lhes apoiando em seus vícios. Estas dão cobertura aos seus deslizes, problemas e pecado. A pessoa dependente não conseguiria se manter em sua dependência sem a ajuda da pessoa codependente. Isto se aplica ao vício do ativismo também.

A codependência é muito difícil de ser quebrada. Normalmente a pessoa codependente foi criada assim, com mãe ou pai ou irmão doente emocional ou fisicamente, e anda assim há décadas. Essa atitude requer mudanças profundas internas. Normalmente também requer um processo significativo de restauração.

Na codependência, uma pessoa encontra seu significado ou bem-estar através de apoiar e cuidar de uma pessoa dependente de algo não saudável. O exemplo mais clássico é a esposa de marido alcoólatra que o protege das consequências de sua doença, ate mesmo mentido, para que ele não perca emprego, relacionamentos, reputação. Mas uma dependência doentia pode ser emocional ou pode ser outro vício, seja químico ou comportamental (como o vicio de ativismo, de compras , de não saber dizer não etc. Na codependência, as pessoas estão presas umas às outras, uma para continuar sua dependência doentia e a outra para sentir-se valorizada no seu papel “heroico”, mesmo nutrindo raiva, amargura e atitude de vitima. Em contraste, na interdependência, ambas são livres e, dentro dessa liberdade, escolhem compartilhar suas vidas e decisão.

Como distinguir a codependência da realidade de que dependemos de outras pessoas o tempo todo e no casamento, sem dúvida, mais do que outro relacionamento? Como evitar codependencia e vivenciar interdependência? Um dos segredos é distinguir entre necessidades saudáveis e doentias. Qual a diferença?

Necessidade doentia são negadas, mascaradas e reprimidas. Elas são as bases para alguém manipular outras pessoas para sentir-se satisfeito, dominando-as e invadindo as suas vidas. Paul Tournier afirmou certa vez que os “fracos dominam o mundo , pois eles manipulam os fortes para cuidarem deles”!

Necessidade saudáveis são reconhecida, admitidas, confessadas e ate celebrada. Estão sob controle; não dominam o relacionamento. As pessoas não sentem vergonha dessas necessidades, ciente de que são normais e que não existe ser humano sem necessidades.

Codependência é fruto da inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Nos relacionamentos codependentes não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativa realista, individualidade e confiança nos outros e em si mesmo. Ao reconhecer padrões codependentes em nosso relacionamento, precisamos confessar isso a Deus e procurar ajuda de outras pessoas para quebrar estas tendencias ou fortalezas .

Se uma pessoa percebe que é codependente( possui a síndrome da cuidadora), os seguintes passos podem ajudar a se curá-la, principalmente se você tiver algum transtorno de ansiedade.

1. Firme sua identidade em Jesus. Descubra quem você é - independente da pessoa mais importante em sua vida ( Ef 1.17-20).

2. Recuse-se a ser um facilitador; não tolere relacionamentos tóxicos, que fazem mal para você.

3. Deixe as outras pessoas sofrerem as consequências de suas ações.

4. Não procure dar cobertura a elas nem se responsabilizar por elas e pelos problemas que são delas.

5. Ajude-o dentro dos seus limites e disponibilidades. Ajude sim, se a pessoa pedir e ela não sabe resolver.

6. Reconheça e comunique seus limites.

7. Aprenda a estabelecer limites saudáveis. Não resgate outras pessoas. Aprenda a dizer não e sustente esse não.

8. Defina o que é e o que não é sua responsabilidade.

9. Abrir mão de dar conta das expectativas dos outros.

10. Procure pessoas que possam apoiar você nestes passos e ajudá-lo a se firmar neles (Mt 26.36-46;Мс 10.17-31)

domingo, 3 de março de 2024

A FRUSTRAÇÃO NÃO ADOECE, OU ADOECE ?


As pessoas se atrapalham um pouco com essa história de frustração. Para muita gente, frustração é sinônimo de doente. Fulano é um frustrado, não devo frustrar meus filhos, não posso me frustrar. Isso é besteira. Frustração não adoece.

Causa, isso sim, uma dor, que pode ser maior ou menor, dependendo da compensação que eu tenho. Se consigo uma boa compensação, não dou bola para a minha frustração.

Por exemplo: uma das coisas raras na minha vida, assim como na de tantas pessoas, é a chamada noite livre, chegar do trabalho cansado e não fazer nada. Na minha profissão de engenheiro e depois de psicanalista trabalhava a noite. Como psicanalista, fazia terapia - o que me obriga as vezes a trabalhar depois das seis horas da tarde, quando meus pacientes já pararam de trabalhar e me frusto, ah poderia esta com a família . E não me lembro de nenhuma noite livre em que não houvesse pelo menos dois filmes interessantes em cartaz para ver. O que acontece! Compro bilhete entro no cinema assisto o filme e me frusto, ah! Deveria ter visto o outro!

Vou pra casa abro a Netflix ou outro aplicativo e não vejo nada que me interesse, fico chateado, el me frusto. Vou ver o jogo do meu time e meu time perde, me frusto.

Se vou para o restaurante, pego o cardápio e tenho de escolher de novo. Se peço o prato certo, tudo bem. Se não, posso continuar frustrado.

O caminho é sempre esse: impulso, consciência moral, angústia, frustração, compensação. Esse é o problema cristão do pecado: quando você peca, você dá a vitória para o impulso e tem uma frustração consciente chamada arrependimento. O que não nos ensinam é que, quando não pecamos, temos a mesma frustração com o mesmo nome: arrependimento.

Vamos pegar o exemplo do pudim de leite inteiro. Uma paciente em analise está fazendo um regime e fica com muita vontade de comer um pudim de leite inteiro. O conflito está estabelecido. Então, ela peca, e come o pudim. Neste caso ela Tem uma compensação grande de curta duração e um arrependimento de longa duração. Mas ela pode não pecar: não comer o pudim inteiro, assim ela tem um arrependimento grande de curta duração e uma compensação de longa duração. Ou seja, se ela come o pudim inteiro, ela tem prazer e arrependimento; se não come, tem arrependimento e prazer, ambos os arrependimentos medidos em gramas.

Do pudim inteiro à mulher do próximo é o mesmo mecanismo. Se dou a vitória ao impulso, a compensação é grande, mas de curta duração, e o arrependimento, de longa duração. Se dou a vitória à consciência moral, a frustração é grande, e a compensação de longa duração. Nada vai evitar essa tragédia. Eu trabalho há mais de 15 anos em psicanálise , de segunda a sexta, das nove da manhã às nove da noite, observando pessoas que tentam achar um jeito de optar sem perder. E nunca consegui achar uma que tenha sido bem-sucedida. Não tem jeito.

Vista assim, a vida parece de uma simplicidade incrível.

E seria, se esse fosse o único conflito do ser humano. Acontece que esse é apenas o conflito consciente. No inconsciente, existe outro conflito, que se estabelece entre os mesmos impulsos e uma consciência moral inconsciente - o superego.

A baixa tolerância à frustração

A frustração é um sentimento de impotência, uma resposta emocional que emerge quando certos desejos e expectativas não podem ser cumpridos. Junto com a raiva, a frustração é uma das emoções humanas mais comuns. Se não aprendermos a geri-la e, eventualmente, superá-la, teremos como resultado um sentimento estável de decepção.

Não poder resolver sentimentos de frustração pode causar desmotivação e abandono de todas as metas e projetos em qualquer plano da nossa vida. Claro, a vida em si não é fácil e a capacidade de controlar os contratempos que o destino nos depara exige paciência, caso contrário, o que seria de nós se ao primeiro sinal de frustração “jogássemos a toalha”?

Por que é importante aprender a tolerar as frustrações?

Como qualquer outra emoção, a frustração tem que ser controlada e canalizada de uma forma positiva, de modo que a pessoa seja capaz de enfrentar as dificuldades e constrangimentos que o dia-a-dia lhe apresenta.

É importante lembrar que a própria frustração é um sentimento passageiro, um estado de incerteza que não nos define como pessoas. Devemos entender que passar por uma situação frustrante não significa fracasso, e que desenvolver uma tolerância à frustração envolve um processo de aprendizagem que começa desde a infância e nunca termina

Conflitos conscientes: a emoção briga com a moral

 

CONFLITOS CONSCIENTES É qualquer problema em que a moralidade seja relevante. Inclui não apenas conflitos entre razões morais, mas também conflitos entre razões morais e razões legais, religiosas ou relacionadas com o interesse próprio. Pode referir-se também a qualquer área temática em que não se sabe o que é moralmente bom ou certo

O termo consciência, em seu sentido moral, é uma habilidade, capacidade, intuição, ou julgamento do intelecto que distingue o certo do errado. Juízos morais desse tipo podem refletir valores ou normas sociais (princípios e regras).

Um dia deste, estava eu e minha esposa na de sala, ela vendo o seu programa preferido na TV e eu sentado lendo e pensativo, talvez olhando não sei pra onde! De repente minha esposa me pergunta! Tais sentindo alguma coisa? Como sempre respondo não; mas não fui convincente ela exclama! Eu te conheço, então eu respondo! To angustiado. E comecei a fazer a reflexão, tá aí a reflexão. “Conflito conscientes, as emoções brigam com a moral”

Todo animal, em determinadas circunstâncias, tem o seu corpo carregado de energia. Por exemplo: um cachorro está roendo um osso, vem outro cachorro e tenta pegar o osso.

Para se defender, o primeiro cachorro se arma de uma forte energia, que o faz pular no pescoço do outro, morder, atacar.

Outro exemplo: um cachorro vê de repente passar perto dele uma cadela no cio. Ele se enche de uma carga de energia e vai copular com a fêmea.

Nós também sentimos isso. Eu estou roendo o meu osso profissional e vem um sujeito que quer o meu osso. Eu sinto a mesma carga de energia que o cachorro sente. Então, nesse sentido, nós somos animais iguais aos outros.

Mas, ao contrário dos outros animais, nós temos também uma parte que diz se vamos ou não colocar aquela carga de energia para fora, quando e como vamos fazer isso. Então, eu estou amando e alguém tenta roubar o meu objeto de amor.

Uma carga muito grande de energia apodera-se de meu corpo e eu fico com raiva. Outra situação: estou andando à noite na rua, ouço passos atrás de mim, olho e não vejo ninguém. Meu corpo se enche de uma carga de energia, eu sinto medo. Ou, ainda, eu me sinto atraído por alguém e me carrego de energia afetiva ou sexual. Essa energia se chama impulso.

Mas a gente não sente a carga de energia, sente o seu representante psíquico: a emoção. Acontece que esse impulso, essa emoção - raiva, medo, tesão - o conflita com uma coisa que os outros animais não têm, chamada consciência moral. Esse conflito é absolutamente

constante no ser humano. Cada vez que entro numa situação de conflito, isto é, cada vez que meus impulsos entram em contradição com minha consciência moral, eu tenho angústia.

A palavra angústia vem do latim "angor", que quer dizer aperto. Quando estou dividido entre duas coisas, igualmente importantes para mim, sinto um aperto no coração, nos brônquios, um nó na garganta, e não consigo dar a última respiradinha. Então, eu suspiro para tentar abrir os brônquios, tenho uma suspirose. É totalmente diferente da ansiedade. Ansiedade é o que sinto quando tenho de chegar a algum lugar e o trânsito me impede ou a luta por um futuro incerto. Dá raiva, e eu bufo. O angustiado suspira, o ansioso bufa, está cheio de ar.

Temos bons remédios para ansiedade, depressão, tensão, insônia, excesso de sono, tudo. Só não existe remédio para a angústia. A única coisa capaz de deter a angústia é uma opção. Se você tomar uma atitude, escolher, agir, a angústia se dissipará instantaneamente. E, depois de escolher, você entra em frustração. Não tem saída: ou você está angustiado, ou está frustrado. Dividiu, angustiou. Escolheu, frustrou. Mas frustração não adoece? Ou adoece! Eu prefiro me frustrar

sábado, 2 de março de 2024

Transtorno da Personalidade Dependente

 1. Caso estuda e em terapia

Um homem de 32 anos chega ao psiquiatra com a queixa principal de estar deprimido desde que rompeu com a namorada há duas semanas. Explica que, embora a ame, terminou o namoro porque sua mãe não a aprova e não permitiria o casamento. Diz que não consegue ir contra a mãe porque ela "cuidou de mim todos esses anos". Afirma que jamais seria capaz de cuidar sozinho de si mesmo sem a mãe e oscila entre ficar com raiva dela e sentir que "talvez ela saiba o que é melhor" Morou toda a vida em casa, exceto durante um se-

mestre que passou na universidade. Voltou para casa no final do semestre por não aguentar a saudade e não retornou mais. Não relata perda de apetite, de concentração nem de energia.

O paciente afirma que seu desempenho profissional é "adequado" e que não tem problemas relacionados ao trabalho. Está empregado em uma empresa de contabilidade há vários anos, mas continua em um cargo em nível de iniciante.

Diz que recusou promoções no passado porque sabe que "não conseguiria supervisionar ninguém nem tomar decisões por outras pessoas". Tem dois amigos íntimos desde a infância, com os quais conversa quase todos os dias por telefone e sem os quais "se sente perdido". Os resultados de seu exame do estado mental são normais, exceto por revelar humor deprimido (embora o afeto tenha a variação completa).

Qual é o diagnóstico mais provável?

2. RESPOSTAS PARA O CASO

Transtorno da personalidade dependente

Resumo: O paciente é um homem de 32 anos que está deprimido desde que rompeu com a namorada há duas semanas. Não apresenta sinais nem sintomas vegetativos de depressão maior. Depende excessivamente da mãe para tomar decisões importantes e ainda mora em casa. Embora se saia bem no trabalho, tem recusado posições melhores porque exigiriam que assumisse responsabilidade por outras pessoas. Também parece ser muito dependente de alguns amigos íntimos.

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3. Diagnóstico e tratamento

Transtorno da personalidade dependente.

Melhor tratamento: Em geral, terapias projetadas para o insight ajudam.

Terapia comportamental, treinamento da assertividade, terapia familiar e terapia de grupo também se mostraram úteis para determinados pacientes.

Farmacoterapia pode ser usada para tratar sintomas específicos, como ansiedade e depressão, conforme surgirem. Contudo, indivíduos com esse diagnóstico raramente seguem tratamento porque o transtorno em si é egossintônico.

4. ANÁLISE

Objetivos

1. Reconhecer o transtorno da personalidade dependente em um paciente.

2. Familiarizar-se com as recomendações de tratamento apropriadas para os pacientes que sofrem desse transtorno.

5. Considerações

Esse paciente apresenta o que parece ser um padrão global de uma necessidade excessiva de ser cuidado. Precisa que os outros assumam a responsabilidade por ele e não discorda deles por medo de perder seu apoio. Sente-se desconfortável e "perdido" quando está sozinho e não acredita que seja capaz de se cuidar. Falta-lhe autoconfiança e não inicia atividades. Teme ser obrigado a cuidar de si mesmo.

6. ABORDAGEM

Transtorno da personalidade dependente

DEFINIÇÕES

IDEALIZAÇÃO: Mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo lida com conflitos emocionais ou estressores atribuindo aos outros qualidades positivas exageradas.

Por exemplo, uma mulher abusada e negligenciada pelo marido afirma enfaticamente:

"Ele é a melhor coisa que já me aconteceu".

FORMAÇÃO REATIVA: Mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo lida com conflitos emocionais ou estressores substituindo comportamentos, pensamentos ou sentimentos inaceitáveis para ele por outros totalmente opostos. Por exemplo, uma mulher que está muito zangada com o marido por ter tido um caso extraconjugal prepara-lhe um delicioso jantar e age de maneira carinhosa.

SOMATIZAÇÃO: A expressão de dificuldades psicológicas como queixas físicas.

A somatização é considerada uma forma de regressão, pois ser capaz de verbalizar os problemas em vez de transformá-los em queixas físicas é considerado um passo progressivo. Por exemplo, uma mulher que está perturbada pela morte de seu gato desenvolve uma dor de cabeça intratável.

Alterações propostas para o DSM-5: O DSM-5 propõe uma nova definição dos transtornos da personalidade e como eles são classificados. O grupo de trabalho recomendou a revisão de níveis de funcionamento, tipos de personalidade e traços de personalidade. Os traços de personalidade mais importantes no transtorno da personalidade dependente serão subserviência, ansiedade e insegurança da separação.

7. ABORDAGEM CLÍNICA

Os pacientes com transtorno da personalidade dependente têm uma necessidade dominante de ser cuidados por outras pessoas e contar com elas para receber apoio emocional. São dependentes e submissos e não se sentem bem sozinhos. Temem ser deixados sozinhos, pois não se acreditam capazes de cuidar de si mesmos, e isso leva a um comportamento de "grudar-se" a outras pessoas. Preferem fazer coisas para os outros e têm dificuldade de iniciar projetos próprios e de discordar dos demais.

A dependência é um fator evidente em vários transtornos da personalidade, incluindo os transtornos da personalidade histriônica e borderline. Entretanto, nesses transtornos, os indivíduos em geral dependem de uma série de pessoas. Os pacientes com transtorno da personalidade dependente tendem a "grudar" em uma única pessoa, como um dos pais ou o cônjuge, em uma relação de longo prazo. Também têm tendência a ser menos lábeis e evidentemente manipuladores do que aqueles com transtorno da personalidade histriônica ou borderline. Os indivíduos com agorafobia podem ser dependentes, mas o comportamento dependente não costuma começar antes de se iniciarem os ataques de pânico ou a ansiedade - portanto, não existe um padrão global e vitalício de dependência.

O transtorno da personalidade dependente, como todos os transtornos da personalidade, é difícil de tratar. Os pacientes podem reagir bem a grupos de apoio psicossocial diante da

perda de seus sistemas habituais de apoio. A psicoterapia psicodinâmica de longo prazo pode ajudar, mas a maioria deles não tem nem a motivação nem o insight necessários para o sucesso no tratamento.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NACISISTA

 

Caso de paciente em terapia após diagnóstico Médico - COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NACISISTA 

Um homem de 45 anos é admitido à unidade cardíaca de tratamento intensivo depois de sofrer um infarto agudo do miocárdio. Vinte e quatro horas depois da internação, foi chamada uma psiquiatra para fazer uma avaliação, porque o paciente estava tentando sair do hospital contra a recomendação médica. Quando entra no quarto do hospital, a psiquiatra o encontra vestido e gritando a plenos pulmões: "Eu não serei tratado dessa maneira! Como você se atreve?" . Apesar disso, o paciente concorda em se sentar e conversar com ela. Diz-lhe que os membros da equipe são extremamente grosseiros e não o tratam "da maneira que está acostumado". Relata que é proprietário de um pequeno negócio que está crescendo e "assim que as pessoas perceberem todo meu potencial, serei um milionário". Não consegue entender por que a equipe não lhe traz comida de uma lanchonete de fora, já que a comida do hospital é tão ruim. Pergunta a psiquiatra se, depois da entrevista, buscará alguma comida para ele, e fica zangado quando ela diz que não. Então olha com inveja para o relógio dela, novo e caro. No exame do estado mental, a psiquiatra não encontra alteração do processo nem do conteúdo de pensamento, e o paciente está totalmente orientado para pessoa, lugar e tempo.

Qual é o diagnóstico mais provável?

Qual seria a abordagem mais bem-sucedida para lidar com esse paciente?

Resposta ao caso diagnóstico

Transtorno da personalidade narcisista

Resposta ao caso

Resumo: Um homem de 45 anos é hospitalizado um infarto miocárdio agudo do miocárdios é internado e quatro horas depois, tenta sair do hospital contrariando o parecer médico, porque está zangado devido ao tratamento recebido da equipe hospitalar. Tem um sentimento grandioso e presunçoso acerca da própria importância. Quer tirar proveito da psiquiatra que o entrevista e obviamente inveja um relógio que imagina ser caro. Não demonstra outra anormalidade no exame do estado mental.

Diagnóstico mais provável: Transtorno da personalidade narcisista.

Abordagem mais bem-sucedida: Se a psiquiatra e/ou a equipe de tratamento encontrar uma maneira de demonstrar reconhecimento pela experiência, pelos sentimentos e pelas preocupações do paciente, é provável que ele se acalme e concorde em ficar no hospital para ser tratado.

ANÁLISE

Objetivos

Conhecer os critérios diagnósticos para o transtorno da personalidade narcisista.

Saber que as estratégias empregar quando trabalhar com pacientes com esse transtorno.

Considerações

Esse paciente sofreu uma "ferida narcísica" nas mãos da equipe, já que eles se recusam a atender a sua necessidade de admiração e tratamento especial. Além disso, essa ferida foi infligida ao perceber que seu corpo não é imortal. Ele reagiu tornando-se arrogante, agressivo e exigente e tentou sair do hospital contra a recomendação medica. Continua exigindo atenção ao conversar com a psiquiatra, dizendo-lhe quão importante ele é e como se sente merecedor de um tratamento especial. Tenta até manipulá-la e se zanga quando ela não se submete. Inveja seu sucesso, evidenciado pelo relógio dela. Pacientes como esse respondem melhor à manifestação de uma admiração honesta por parte dos outros - mas geralmente é difícil reagir dessa maneira, pois despertam fortes sentimentos negativos de contratransferência.

ABORDAGEM AO

Transtorno da personalidade narcisista

DEFINIÇÕES

NEGAÇÃO: Mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo lida com estresse ou conflito emocional se recusando a reconhecer algum aspecto doloroso da realidade externa ou experiência subjetiva que está aparente para os demais, Por exemplo, um paciente hospitalizado após um grave infarto agudo do miocárdio diz ao médico que se sente "novo em folha", pula da cama e começa a fazer polichinelos. Quando existe um prejuízo flagrante do teste de realidade, a negação pode ser considerada psicótica.

DESVALORIZAÇÃO: Mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo lida com estresse ou conflito emocional atribuindo qualidades negativas exageradas a si mesmo ou aos outros. Esse comportamento pode se alternar com a idealização. Por exemplo, um paciente afirma que seu terapeuta é "o pior médico do mundo".

GRANDIOSIDADE: Conceito exagerado da própria importância, poder ou fama.

IDEALIZAÇÃO: Mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo lida com estresse ou conflito emocional atribuindo qualidades positivas exageradas a si mesmo ou aos outros. Esse comportamento pode se alternar com a desvalorização. Por exemplo, um paciente afirma que seu terapeuta é "a pessoa mais empática do planeta".

ABORDAGEM CLÍNICA - Critérios diagnósticos

Os pacientes com esse transtorno exibem um padrão global de grandiosidade, necessidade de admiração e ausência de empatia em relação aos outros. Muitas vezes, exageram suas realizações e sentem inveja das realizações ou posses alheias.

Acreditam que são especiais ou merecedores de tratamento diferenciado. Têm fantasias de poder ilimitado e sucesso. Tiram vantagem dos outros e podem parecer esnobes ou arrogantes. Lidam mal com críticas e se enraivecem com rapidez.

Alterações propostas para o DSM-5: O DSM-5 propõe uma nova definição dos transtornos da personalidade e como eles são classificados. O grupo de trabalho recomendou a revisão de níveis de funcionamento, tipos de personalidade e traços de personalidade. A recomendação é que esse transtorno seja representado e diagnosticado por meio de uma combinação de prejuízo fundamental no funcionamento da personalidade e traços de personalidade específicos. Os traços de personalidade de maior destaque no transtorno da personalidade narcisista são narcisismo, manipulação, histrionismo e insensibilidade.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Com frequência é difícil diferenciar pacientes com transtorno da personalidade como: transtorno de personalidade borderline, anti-social ou histriônicas. Os indivíduo. Com transtornos de personalidades borderline geralmente têm vidas mais caóticas, múltiplos relacionamentos fracassados e tentativas suicidas. Os pacientes com transtorno da personalidade antissocial muitas vezes têm problemas de ordem legal, pois cometeram um ou mais atos impulsivos, irresponsáveis e seguidamente de natureza violenta. Aqueles com transtorno da personalidade histriônica podem parecer dramáticos, mas não afirmam merecer tratamento especial e não costumam ser tão arrogantes ou esnobes.

DICAS DE ENTREVISTA E TRATAMENTO

Os pacientes com esse transtorno tentam parecer perfeitos e invencíveis a fim de proteger sua autoestima frágil. Quando isso não funciona, tendem a desenvolver depressão. Em geral, eles denigrem seu médico, em uma tentativa defensiva de manter o senso de domínio. O médico deve ter tato e demonstrar admiração, se possível. O tratamento desses indivíduos é difícil, porque eles raramente desejam mudar e quase nunca buscam ajuda. A terapia de grupo só ajuda se o terapeuta puder tornar de alguma forma aceitável para o paciente a inevitável confrontação por parte dos membros do grupo. A psicoterapia com esses indivíduos é desafiadora, e o paciente muitas vezes termina o tratamento quando há tentativa de confrontação.

Pode-se utilizar psicofarmacoterapia para tratar os sintomas associados ao transtorno da personalidade narcisista (p. ex., lítio para a labilidade afetiva, inibidores seletivos da recaptação de serotonina [ISRSs] para os sintomas depressivos).