terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Consequências de uma infância conflitante!


A infância é a etapa da vida na qual a criança começa a conhecer o mundo, a desenvolver e a gerenciar aquilo com o que convive. Por outro lado, é um período no qual a criança é especialmente vulneráveis e dependentes. Assim, o que acontece têm muitas possibilidades de ficar aderido a suas raízes, sendo difícil de modificar.

Isso vale tanto para uma infância positiva quanto negativa, e os resultados posteriores são totalmente diferentes. É uma vantagem ou uma desvantagem que  é dada por sorte e, de certo modo, não tem muito o que fazer.

A. Infância perdida

Este período, como o resto dos que compõem a sua história vital, uma vez passado já não voltará. Uma infância tóxica se traduz em uma infância triste, infeliz ou complicada.
Com frequência o fato de não ter podido viver estes anos de uma maneira satisfatória a criança se enche de rancor direcionado a aquelas pessoas por quem tem sentimentos muito profundos. Ou seja, os vínculos emocionais da infância costumam sobreviver, de forma frequente, em um enfrentamento entre o amor e o rancor.

Assim, os sentimentos encontrados não são frutos do acaso, e sim da avaliação posterior sobre as injustiças, a desconfiança, o medo, o abandono, e a humilhação que um dia que teve que sofrer. O primeiro passo na fase adulta é reconhecer os sinais. Observe  alguns sintomas:

1. Você se apega às emoções negativas

Se você reconhece que sofreu maus-tratos de seus pais ou dos adultos que eram responsáveis por você, então também reconhece como isso faz você se sentir. Quando você é confrontado com pensamentos de como foi a sua infância, um caldeirão de emoções negativas ferve dentro de você.
Essas emoções negativas são muitas vezes uma mistura de medo, ansiedade, rejeição, sufocamento ou dor emocional generalizada. 

Você tem dificuldade em identificar-se com amigos e colegas que obtêm prazer de seus relacionamentos com suas mães.

Você pode até fantasiar sobre como seria bom se você tivesse tido uma criação que lhe evocasse sentimentos positivos e amorosos. Se ao analisar isso, você não conseguir perdoar e libertar a suas memórias tóxicas, então estará suprimindo suas emoções negativas e ainda assumindo parte da culpa. Você pode se pegar dizendo:

Eu não fui uma criança fácil de criar;

Eu poderia ter feito mais para facilitar;

Meus pais tinham muitos problemas para resolver;

É assim mesmo, é o jeito deles, também foram criados assim;

Eles fizeram o melhor que puderam.

Essas expressões são boas se vierem de uma posição de cura, mas não são boas quando são usadas para evitar a realidade e suprimir seu trauma interior lhe inferiorizando, lhe vitimizando no monopólio da dor.

2. Você reage ao conflito com submissão ou agressão

A parentalidade tóxica faz com que as crianças desenvolvam métodos disfuncionais de resolução de conflitos para lidar com uma figura de autoridade hostil. Se sua mãe ou o seu pai, ou quem lhe criou, quebrou seu espírito, você aprendeu a lidar com o conflito pela submissão a todo custo. Qual é o propósito de se levantar se você vai ser derrubado?

Como adulto, você evita conflitos, negligencia a si mesmo quando necessário e recua na defesa dos outros. Se sua infância o seu espírito foi quebrado na infância (se pisaram em todo o seu coração), então você aprendeu a permanecer passivo em sua posição de fraqueza, mas desenvolveu e internalizou a agressão induzida pela dor.

Po Você determinou que ninguém vai lhe machucar dessa maneira novamente. Quando adulto, você encontra um conflito agressivo e pode atacar com pouca ou nenhuma provocação. A infância conflitante incitou você a dar o primeiro “soco” em quem quer que seja, quando essa pessoa lhe faz sentir emocionalmente vulnerável.


3. Você esconde afeição

Pessoas que vivenciaram uma infância tóxica retêm o afeto de seus filhos como uma forma de punição. Eles aprendem que o amor é condicional, baseado em quão profundamente eles a agradam. Algumas pessoas podem oferecer pouca ou nenhuma afeição, mesmo quando a criança se saiu bem.

Outros decidem não se incomodar, isolando-se emocionalmente e evitando o contato. Em ambos os casos, as crianças são emocionalmente manipuladas e aprendem que o afeto amoroso é uma mercadoria condicional e escassa.

Como adulto, você não sabe como lidar com o afeto livremente dado e vive antecipando que ele será arrancado de repente. Sua alegria e medo produzem mudanças extremas de humor emocional que seu parceiro romântico não entende.

Não é incomum que você retenha o carinho como meio de autodefesa ou castigue seu parceiro pela menor indiscrição. É a sua maneira de proteger suas emoções vulneráveis ​​e comunicar sua dor.

4. Você procura relacionamentos codependentes

Os relacionamentos codependentes envolvem um parceiro passivo e um dominante que ambos encontram satisfação na dependência emocional e/ou prática do parceiro passivo no parceiro dominante.
O parceiro passivo se sente amado quando alguém está disposto a fazer tudo por ela. O parceiro dominante se sente amado quando é necessário. Quanto maior a dependência do parceiro, mais amado ele se sente.
Numa relação tóxica entre mãe e filho, por exemplo, a mãe age como o parceiro dominante. Ela recorre a medidas extremas para garantir que seu filho sempre precise dela, dificultando o desenvolvimento saudável.
A parentalidade codependente produz crianças emocionalmente e/ou praticamente codependentes. Uma criança se tornará passiva ou dominante como adulta, dependendo de sua personalidade e da força de sua vontade.


Codependentes passivos

Como adulto, se você é o parceiro passivo, você se sente amado quando seu cônjuge gerencia sua vida por você. Também é comum que você espere que seu cônjuge atenda a todas as suas necessidades emocionais.
Você sente que precisa de seu parceiro para viver, e em seu estilo passivo-agressivo, exige que seu parceiro demonstre amor dessa maneira. Você se sente amado e rejeitado quando seu cônjuge não pode ou não vai deixar tudo de lado para atender a todas as suas necessidades.

Codependentes Dominantes

Como adulto, se você é o parceiro dominante, você tem uma necessidade insaciável de ser necessário e pode até criar situações que garantam sua indispensabilidade.
A dependência do seu parceiro, praticamente e emocionalmente, faz com que você se sinta seguro. Se você é necessário, você não será deixado de lado.
Você tem fortes tendências de controle em relação ao mundo exterior, mas permanece emocionalmente dependente de outra pessoa.
Seu bem-estar emocional depende de quanto os outros precisam de você. Se o seu cônjuge afirma alguma independência, você experimenta sentimentos de medo e insegurança e até se sente mal amado.

5. Você é um crítico de todos, especialmente você mesmo

Parentalidade tóxica descarrega montes de críticas às crianças. Essas mães criticam duramente cada comportamento que não lhes agrada, e a menor infração desencadeia repreensão ou punição desproporcionais.
A psicologia há muito nos ensina que todos desenvolvemos uma voz interior e, para muitos adultos, sua voz interior pertence a um de seus pais, quer eles percebam isso ou não.
Como filho de uma criação tóxica, você sempre se sente monitorado, como se alguém estivesse observando e criticando seu desempenho diário. Você se julga duramente por cada erro ou revés.
O fracasso traz uma crise emocional em você, pois o seu valor depende apenas dos seus sucessos. Você constantemente batalha a voz em sua cabeça que implacavelmente repete que você não é bom o suficiente ou bem sucedido o suficiente.
Você tem tendências perfeccionistas e expectativas elevadas dos outros, tornando-se não apenas seu pior crítico, mas também o de todo mundo.

6. Você precisa de validação constante

Crianças que tiveram uma criação tóxica se tornam adultos com baixa auto-estima. Seu ambiente de infância foi marcado por críticas, falta de afeição, amor condicional, domínio e conflito.
Elas são atormentadas por sentimentos de inutilidade e buscam validação das pessoas mais próximas a elas. Elas desejam principalmente a validação frequente através de:

1. Reconhecimento por bom comportamento ou realizações
2. Reafirmação constante de que são amadas

Quando adulto, você acredita que não é digno de amor e teme que os outros logo percebam isso. Quando você faz bem, você garante que aqueles ao seu redor saibam sobre isso.
Você precisa dar ao seu círculo íntimo uma razão para continuar amando você. Sua baixa autoestima impulsiona sua necessidade desesperada de elogios e palavras de aprovação de sua família e amigos.
Seus louvores ajudam você a se sentir mais seguro em seu relacionamento com eles. Muitas vezes, isso é confundido com orgulho, mas no seu caso, é uma marca registrada de insegurança. Se você não receber a validação deles, você se sentirá desvalorizado ou sem valor.

Em seu estado vulnerável, você supõe subconscientemente que os outros vão “amar” você do modo como foi na infância, e você procura os sinais. Você monitora seu parceiro, família e amigos para indicações de que o amor deles está diminuindo.
Como resultado, você muitas vezes reage excessivamente a transgressões menores, interpretando-as como prova de que você não é digno. Sua necessidade de validação mantém você numa montanha-russa emocional, porque você raramente se sente contente consigo mesmo e olha para os outros em busca de satisfação emocional.

Você pode mudar!

Cura de relacionamentos conflitantes 
leva tempo, é preciso se analizar, se conhecer e conhecer bem as circunstâncias vivida. Você não pode controlar o mundo ao seu redor ou aqueles que estão nele, mas você pode ter poder sobre suas reações.
Escolha procurar pessoas capacitadas, palavras sábias e descubra como seu passado e suas emoções afetam sua vida atual. Você não precisa viver nas correntes do ontem. Em vez disso, opte por dar passos diários em direção a um novo futuro.




domingo, 30 de setembro de 2018

Não quero crescer - diz a criança a sua mãe!


"Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino." Fernando Sabino 

O desenvolvimento se dá por crises, o que isto quer dizer? Imagine que o feto está quentinho dentro da barriga de sua mãe, recebendo alimentação e crescendo confortavelmente, até que, um belo dia, o útero fica pequeno e começa a se contrair para expulsá-lo de lá.
Esta é a primeira crise pela qual o Ser Humano em formação passa. Não há alternativa senão sair e nascer. De repente um monte de luzes, vozes, agitação, frio e desconforto. Um tapinha, a primeira dor e o choro.
Um mundo novo, desconhecido, apresentado com desconforto surge diante do bebê e não há alternativa, ele terá que enfrentar a crise e seguir adiante.
Passados estes primeiros momentos ele começa a perceber que a alimentação continua chegando, um leite quentinho jorra do seio da mãe em sua boca. Ah!!! Também chega o conforto através de toques suaves e um amor diferente do que ele recebia enquanto estava na barriga.
Aos poucos ele vai percebendo que aqui, do lado de fora, também pode ser bem confortável e bom, tanto ou mais do que na barriga. Mas, o bebê só vai descobrir se enfrentar e superar a crise do nascimento.
E assim será em cada fase do desenvolvimento físico e emocional do Ser Humano. Após a crise sempre há um período de adaptação e descoberta das belezas, oportunidades e prazeres da nova fase, seguindo-se uma fase de estabilidade, para total integração dos aprendizados, para novamente surgir uma crise que levará a um novo patamar de desenvolvimento.
Então, quando seu filho (a) lhe disser que não quer crescer, isto é sinal de que uma nova fase de desenvolvimento já se apresentou, e ele (a) está com dificuldade em se desapegar do estado atual para enfrentar o processo de crescimento, porque o estado atual lhe parece bem melhor do que ele (a) vislumbra no próximo.
Na grande maioria das vezes ele (a) está pedindo ajuda. Então, é hora de parar e observar a vida que vocês estão levando, os arredores, os ambientes que ele (a) frequenta, para descobrir o que está gerando medo.
Algumas vezes a questão está dentro de casa mesmo. Um garoto ou uma garota de 11 ou 12 anos perguntando se não pode permanecer criança, está sinalizando que a forma como ele (a) percebe a vida adulta é assustadora.
De onde vem esta percepção? Provavelmente da forma como seus pais estão lhe apresentando a vida.
Sugiro que você, que está passando por isso, observe os ADJETIVOS que usa para qualificar sua vida, trabalho ou relação afetiva: Dura, difícil, desgastante, ruim, sem perspectiva, louca, desestimulante, etc…
Que frases você mais costuma dizer: A vida é difícil; O trabalho é uma m…., Todo chefe é explorador; Eu tenho que trabalhar muito, para pagar suas contas, não tenho tempo agora; Puxa filho, meu maior desejo é não trabalhar para ficar com você; Essa empresa suga tudo o que tenho, estou exaurida (o); Todo relacionamento é ruim mesmo, é bom sóno começo; Ruim com ele, pior sem ele; As mulheres são destrambelhadas; Os homens não são dignos de confiança; etc…
Como você tem apresentado o mundo do trabalho, do estudo, a vida a seus filhos?
E se alguém lhe apresentasse algo que você terá que enfrentar em breve com tanta negatividade, como você se sentiria? Pense nisso!

Quem nunca falou ou ouviu (quando criança) comentários como: "se você não estudar direito hoje, como arrumará um emprego quando crescer?" Ou então " se você não for mais responsável, como irá se cuidar quando crescer?". Acredito que a intenção dos pais é despertar na criança senso de responsabilidade.

Mas atenção! Imagine como é ouvir isso diversas vezes durante a infância. Tais comentários fazem com que o "crescer" pareça algo muito difícil e grandioso, talvez até inalcançável. Poderá despertar na criança um sentimento de medo em relação ao futuro. E o mais importante, tais comentários não fazem com que a criança se torne mais responsável.
Uma criança que frequentemente ouve tais cobranças, poderá sentir-se ansiosa, e com medo: "se eu não consigo fazer direito hoje, também não conseguirei fazer quando crescer". O futuro poderá parecer difuso e ameaçador, dando a sensação de que provavelmente não conseguirá corresponder ao que se espera dela.

Não é incomum crianças apresentarem medo de crescer. Algumas vezes esse medo é expresso verbalmente, outras vezes conseguimos notá-lo através do comportamento.

É importante saber dosar a forma como é feita qualquer cobrança, sendo assim, vamos deixar muitas delas no tempo presente. Por exemplo: a criança precisa fazer a lição de casa porque é sua responsabilidade, e um compromisso assumido hoje com a professora, e não porque futuramente precisará de um bom emprego.
O futuro deixaremos no lugar dele.

Se estiver muito desafiador fazer esta reflexão ou mudar sua percepção de mundo para melhor, busque ajuda. Existem muitos trabalhos que podem auxiliá-lo (a): psicoterapia, terapias variadas, livros, cursos, etc…
Encare a fala de seu filho como alerta e uma grande oportunidade para mudanças em você, que refletirá nele (a).