sexta-feira, 27 de março de 2015

O incômodo da culpa: uma abordagem psicanalíticas


O medo da autoridade externa corresponde ao medo que os filhos sentem do pai. A renúncia que realizam se converte em fonte de consciência direcionada para o nascimento do homem racional. Mas quando se trata do medo do superego, que é uma autoridade interna, apenas a renúncia não é suficiente, pois o desejo continua vivo e não pode ser escondido do superego. Ou seja, essa renúncia é incapaz de libertar do sentimento de culpa que persiste que é consequência do desejo proibido, tornado- se fonte permanente de sofrimento.

"Conhecemos assim as duas origens do sentimento de culpa; uma que surge do medo da autoridade, e outra, posterior, que surge do medo do superego. A primeira insiste numa renúncia às satisfação instintiva; a segunda, ao mesmo tempo em que faz isso, exige punição, uma vez que a continuação dos desejos proibidos não pode ser escondido do superego" Freud, S , p.179

1. A culpa e o seu passado

A culpa não é apenas uma preocupação com o passado; é a imobilização do momento presente em função de um acontecimento passado. E o grau de imobilização pode ir de um ligeiro aborrecimento a uma severa depressão.     Se você está apenas aprendendo com o seu passado e jurando evitar a repetição do mesmo comportamento específico, não se trata de culpa. Você sente culpa somente quando é impedido de agir, no momento presente, em resultado de ter, anteriormente, se comportado de determinada maneira. Aprender com os próprios erros e uma atitude sadia e uma parte necessária do desenvolvimento. A culpa é doentia porque nela você está usando, erradamente, a sua energia para se sentir agora ferido, aborrecido e deprimido por um acontecimento que já é histórico. E é fútil, da mesma maneira que é doentia. Não há culpa que seja capaz de desfazer coisa alguma.   

2. As origens da culpa

Há dois caminhos básicos pelos quais a culpa torna-se parte da bagagem emocional do indivíduo. No primeiro, ela é aprendida na primeira idade e permanece com o adulto como resíduo da reação infantil. No segundo, a culpa é auto-imposta pelo adulto por uma infração de um código que ele segue.

2.1 - A  culpa residual

É a reação emocional se carrega com más lembranças da infância. Existem numerosas situações que podem gerá-la, e embora funcionem  para produzir resultado nas crianças, as pessoas continuam carregando-as como adulto. Alguns desses resíduos envolvem advertência, tais como: " Papai não gosta mais de você se fizer isso outra vez"; "Você deveria sentir-se envergonhado"; "Oh, está bem. Afinal sou apenas sua mãe". Quando adulto, os subentendidos por trás destas frases ainda pode ferir, se uma pessoa decepciona  seu patrão, ou outro que tenha transformado em pais. A persistente tentativa de ganhar-lhes o apoio está presente, do mesmo modo que a culpa, quando os esforços não são bem-sucedidos.
A culpa residual também aparece no sexo e no casamento, e pode ser encontrada nas numerosas autos-censuras e desculpas pelo comportamento anterior. Essas reações de culpa se manifestam como resultado de se ter aprendido, na infância, a ser manipulado pelos adultos, mas ainda podem operar quando a criança cresce.  

2.3  - A culpa auto-imposta

A outra reação de culpa aparece quando ela é auto-imposta. Nesse caso, o indivíduo está sendo imobilizado por coisas que fez recentemente, mas que não se vinculam, necessariamente, à sua vida de criança. Essa culpa é imposta ao seu eu quando uma regra adulta , ou um código moral , é quebrado. O indivíduo pode sentir-se mal por longo tempo, muito embora seu sofrimento nada possa fazer para alterar o que aconteceu. Exemplo típicos de culpa autoimposta  incluem falar asperamente com alguém e odiar-se por isso, ou esgotar-se emocionalmente, no presente, em razão de algum ato como ter roubado uma loja, não frequentar a igreja ou ter dito a coisa errada no passado.

Assim, você pode considerar todas as suas sensações de culpa ou como reações residuais a padrões impostos, nos quais você ainda tenta agradar a uma autoridade ausente,ou como resultado de tentar viver de acordo com padrões autoimpostos, que realmente não aceita, mas que por alguma razão finge aceitar.
Em qualquer dos casos citados, é um comportamento estupido e, mais      Importante, sem qualquer utilidade. Você pode ficar sentado o resto da vida, lamentando-se sobre o quanto foi mau, sentindo-se culpado até morrer, e  nem um minúsculo fragmento dessa culpa irá contribuir de maneira nenhuma para corrigir esse antigo comportamento. Está acabado! Sua culpa é uma tentativa de mudar a história, de fazer com que ela não seja como é. Mas a história é assim e você nada pôde fazer a respeito.

3. Produtores de culpa

3.1 - Culpas que os pais estimulam em criança de todas as idades

Manipulação da Criança para executar uma tarefa por meio,da culpa:
" Pedriho1, vá lavar o caro! Se apresse que eu e seu pai vamos a igreja, e faltam pouco tempo para sairmos. Fulano responde, tá bem mamãe, em um minuto, estou terminando de ver o jogo, no intervalo irei! Sinal de culpa transmitido pela genitora depois de alguns minutos que  Pedrinho1 não atendeu - pode deixar Pedrinho1, seu pai faz isso...mesmo com com as dores nas costas quer ele está, sentindo. Fique vendo seu jogo e divirta-se. Pedrinho, imagina que o pai depois da lavagem do carro não irá mais a igreja pois as dores ficarão insuportável! E ele se sentirá responsável. Não estamos dizendo que a atitude do padrinho está certo! Estamos mostrando que a mentalidade do " eu me sacrifico por você" é extremamente eficaz como produtora de culpa. Nesta mentalidade, o pai ou a mãe pode recordar toda as duras ocasiões em que abriu mão da felicidade para que o filho pudesse ter determinada coisa.

E  você, naturalmente, se pergunta como pode ser tão egoísta, depois que lhe lembraram de todas as suas dívidas. As referências às do parto são um exemplo dessa atitude produtora de culpa. Vejam! " suportei 18 horas de dores só para trazer você ao mundo". Outra afirmação muito corriqueira é: " permaneci casada com o seu pai por sua causa". Uma afirmação como esta faz qualquer criança a se sentir culpado pelo mau casamento da mãe. A culpa é um método eficiente para a manipulação das ações dos filhos pelo país. Vejam outra expressão muito usada: " Está bem. Vamos ficar aqui sozinhos, como sempre fizeram. Não se preocupem conosco". Afirmações com esta faz o filho telefonar ou visitá-los com mais frequência!

3.2 - Culpa e o cônjuges

A culpa do "Se você me amasse" representa um meio de manipular um cônjuge. Esta tática é particularmente utilizada quando se quer punir o parceiro. As vezes o parceiro pensa que o amor depende de certo tipo de comportamento. Sempre que uma pessoa não corresponde ao desejado, a culpa pode ser usada para trazê-la de volta à posição certa. Ela tem que ser culpada  por não ter amado o outro. O rancor, os longos silêncios e os olhares magoado são também métodos. Vejam estas palavras: " não quero falar com você" ou não se aproxime de mim, como espera que seja carinhosa(o) depois que você fez?". Outra tática, é o cônjuge citar incidente passado para fazê-lo sentir culpado no momento presente! " Mas não se esqueça do que você fez em 1950", ou, como eu poderia acreditar em você , se uma vez você fez isso, aquilo e etc?. Desta maneiro um dos parceiros pode manipular o presente do outro com referência ao passado.
 É frequente, anos depois de um incidente, uma atitude pode ser passado em riste para ajudar a outra pessoa se sentir culpado no momento presente. Desta maneira, um dos parceiros pode pode manipular o presente do outro com referências ao passado.

3.3 - Culpa  e filhos

 A imposição de culpa também pode ser inspirada pelos filhos. O jogo de culpa pode ser invertido a culpa pode ser de mão dupla  e as crianças são capazes de usá-la na manipulação  de seus pais.
Se uma criança percebe que o pai ou mãe não pode vê - la infeliz  e se sentirá  culpada de ser um mau pai ou uma má mãe, ela - a criança - tentará usar esta essa culpa para manipular o genitor(a). Um acesso de raiva no supermercado ou no shopping pode produzir o doce desejado. Vejam as expressões mais usuais: " os pais de Pedrinho deixa ela fazer isso" - portanto o pai de Pedrinho é bom e você não é. " Você não gosta de mim. Se gostasse não fazia isso comigo". A culpa não só é inspirada, quando o filho é criança, já adulto é frequente os pais ouvir a seguinte expressão: Os pais de João, deu um apartamento para ele quando  ele noivou! Eita  Pai porrete!  Estas afirmativas  carregam a mensagem de culpa e o que ele querem dizer é o seguinte: "Você como pai e mãe, deveriam se sentir culpados por tratar seus filhos dessa maneira." É claro que as crianças aprende esse comportamento gerador de culpa observando adultos os adultos usarem-no para conseguir o que querem. A culpa não é comportamento que nós nascemos com ela, não é natural! É uma reação emocional aprendida, são padrões doentio herdado, que só pode ser usada se aviriam mostra ao explorador que é vulnerável. As crianças sabem quando você é suscetível. Se constantemente lhe lembram as coisas que você fez, ou que não fez, com o propósito de obterem aquilo que desejam, então é porque aprenderam o truque da culpa. PODE ter aprendido em algum lugar ou com você mesma.

3.4 - Culpa e escola.

Os professores também são geradores de culpa e as crianças, uma vez que são extremamente sugestionável, excelentes objetos de manipulação, vejam algumas das muitas expressões de mensagem de culpa que produzem muita  angústia nos jovens:
" sua mãe vai ficar desapontada com você" . Você deveria se envergonhar dessa nota - um menino inteligente como você." "Como pode magoar seus pais dessa maneira, depois de tudo que eles fizeram por você?"

Não se esqueça, mesmo depois de adulto, você é produto destas escolas.

3. 5 - Culpa  e  religião ( igreja)

A religião é frequentemente usada para produzir culpa é, portanto comportamento manipulado. aqui geralmente foi foi Deus quem você decepcionou e em alguns casos a mensagem é no sentido de que você não vai para o céu por ter se comportado mal. Vejam algumas expressões, mais frequente:

" se amasse a Deus, não se comportaria dessa forma" . " você de se sentir mal por não ir a igreja todos o domingos, se sofrer bastante, talvez Deus a perdoe". " a igreja está precisando de trabalhador, vejam o que diz a parábola dos talentos". A igreja prega o não pode!

4 - Como mudar?

Você pode começar a mudar de atitude sobre as coisas em relação às quais sente culpa. Nossa cultura tem muitos traços de puritanismo que enviam mensagens como: " Se é divertido, espera-se que você se sinta culpado por fazer". Muitas das reações de culpa autoimpostas podem ter suas origens nesse tipo de raciocínio. Talvez você tenha aprendido que não deve satisfazer seus desejos, nem achar graça numa piada imoral, ou não,deve ter determinado comportamento sexual. Embora as mensagem repressiva seja onipresente em nossa cultura, a culpa por se sentir gratificado é puramente autoinfligida. Você pode aprender a saborear o prazer sem um sentimento de culpa. Pode aprender a ver a si mesmo como alguém que é capaz de fazer algo que se enquadre em seu próprio sistema de valores e que não prejudique os outros - e fazer isso sem culpas. Se você faz algo, seja lá o que for, e não gosta de fato em si, ou de você por tê-lo feito, pode jurar que eliminará tal comportamento voluntariamente, no futuro. Mas experimentar uma sentença de culpa autoimposta  é uma viagem neurótica que não precisa fazer é se persistir pode transformar em problema patológico. A culpa não ajuda. Não só mantém você imobilizado mas também estimula as oportunidades de que venha a repetir  o comportamento indesejável. A culpa pode ser a sua própria recompensa, bem como a permissão para repetir o comportamento. Enquanto você guardar a justificativa potencial de absolver-se através da culpa, será capaz de manter-se nessa roda viciosa que não conduz a parte alguma, salvo a infelicidade presente.   

Depois do perdão e Deus, o pecador não precisa mais sentir-se culpado do pecado confessado, nem precisa confessar outras vez o mesmo pecado,. Nova confissão e novo perdão serão necessários ele comenter outra vez aquele pecado ou outro qualquer.
Meu querido leitor, Deus não brinca com o pecador, se este faz, de fato, a parte que lhe cabe( a confissão), Deus certamente faz a parte dele( conceder perdão), pois é promessa. Tt. 1.2 " se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar......".
Referências bibliográficas

Freud, S. Obras psicológicas completas de Freud, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. Além do princípio de o prazer, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. O ego e o Ide, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. Psicologia de grupo e análise do ego, Tradução Jaime Salomao  Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. O mal estar da civilização, tradução Jaime Salomão, Editora Standart brasileira, imago, Rio de Janeiro, 1996


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Crianças superprotegidos tornam-se dependentes e frágeis na vida adulta


Como tudo começa?

Os americanos os chamam “helicopter parents”, pais helicópteros. São aqueles pais que, silenciosamente, vigiam à distância os seus filhos, quando brincam, quando interagem com os outros, quando escolhem o que irão vestir naquela manhã. Aqueles pais que, se nos olharmos sinceramente no espelho, teremos grande chance de vê-los refletidos. “Nos tornamos tão obcecados pela segurança que, já de cara, privamos nossos filhos da possibilidade de assumir riscos e de pagar pelas suas consequências, tanto a nível físico quanto emocional”, explicou a psicóloga social Hanna Rosin, autora de um artigo sobre crianças superprotegidas, recentemente publicado na prestigiosa revista The Atlantic.

O Dr. G. Stanley Hall, notável psicólogo americano, afirmava que "ser superprotegido ou ser filho único é, em si mesmo, uma doença". Esta afirmação tão radical poderá ser considerada com muita porcentagem de verdade a nível psíquico. A nível socioeconômico, tem a vantagem dos pais concentrarem no filho único os seus recursos de tempo e especialmente de dinheiro, tornando-lhe tanto quanto possível a caminhada existencial demasiadamente fácil, tornando-o freqüentemente egocêntrico, caprichoso. Parece possuir tudo, toda a superproteção e apoio material, mas, à medida que cresce, instala-se no seu íntimo um vazio, uma sensação de não saber que rumo tomar. Fica inquieto e insatisfeito e tende a maltratar, principalmente o pai.

Superproteção é dar à criança o que ela não necessita, e as conseqüências são tristes. Em regras gerais, a criança mais inteligente cria um anseio premente de independência e libertação, que a conduz a caminhos desencontrados da sua real necessidade. O menos inteligente, mais amedrontado, que não vivencia tão fortemente a rebeldia, acomoda-se, anula-se e segue dependente, inseguro e permanentemente angustiado.

As  mães frustradas sentimentalmente, afetivamente solitárias, separadas ou mães solteiras fixam-se no filho, ou filhos, como propriedade. Fazem isso porque é o que elas têm para minimizar a solidão de amor. Por vezes a filha é bem pequena, na sua infância ainda, e a mãe comete o absurdo de torná-la sua confidente, contando suas frustrações de mulher e criando um mundo de culpas contra o pai.

O filho ou filha única suporta todas as cargas, e tendo tudo. Mas, normalmente nunca tem uma infância própria, e na adolescência continua vivendo em função da problemática mãe solitária ou queixosamente doente, quase sempre não dormindo preocupado com o que pode acontecer. Simultaneamente há a desastrosa superproteção, em que a criança nada tem que ajudar, porque está tudo feito, não há responsabilidade de tarefas, há um controle ansioso, um cuidado excessivo que tira da criança a oportunidade de crescer. Então, o jovem mais tarde tenta fugir.

O filho superprotegido, na adolescência ou até mesmo na vida adulta pode tornar-se indolente, exigente, inseguro, mascarado e com atitudes de arrogância, pouco responsável, egoísta, sem defesas psíquicas e sempre fixado especialmente na mãe como referencial seguro onde se pode acolher. Pode, e acontece freqüentemente, tornar-se um adulto insatisfeito, complexado, infeliz e facilmente sujeito à neuroses depressivas (todas estas situações são de análise com base na psicanálise sistêmica.


O que acontece com estes adultos crianças?

"É incrível como as fêmeas humanas tem uma dificuldade estratosférica de lidar com a culpa”.

A sistemática é a seguinte: Quando elas estão erradas, primeiro negam até o fim até que as provas sejam apresentadas e seja inegável a culpa, depois disso, visto que não tem mais jeito, choram e choram, mas admitir o erro mesmo, só quando está tudo caindo sobre suas cabeças, e mesmo assim ainda tem um "mas", sempre tem um "mas".

Nunca estão erradas por completo, sempre tem outro culpado que não sejam a própria egolatria.

E com esse ciclo vão se tornando sociopatas sem coração que "mentem que nem sentem".

E de quem é a culpa disso? Eu diria, que depois da culpa da própria pessoa, secundariamente a culpa disso é das mães e dos pais que as superprotegem independente se estão certas ou erradas. Por isso quando chegam à idade adulta, ou perto disso, não estão preparadas para as consequências das suas escolhas erradas que fazem aí ficam jogando a culpa pros outros. É tipo aquela frase to Homer: "A culpa é minha eu jogo em quem eu quiser".

Mas a vida real não é assim.

Pais e mães, mulheres são frágeis realmente, mas quando superprotegidas tem grandes tendências a se tornarem monstros sociopatas e ególatras, e altamente nocivas tanto pra sociedade quanto pros futuros namorados/maridos! Não façam isso.

Na criação do sexo masculino os pais não cometem tão recorrentemente esse erro, mas também cometem em muitos casos, principalmente quando o filho é único, a criação segue esse mesmo ritmo da criação da mulher, e a regra também é valida pra esses.

Quando os filhos estão certos tem que defender mesmo, agora quando estão errados, tem que que mostra os erros e se necessário puni-los.

"Determinação e competência para planejar (não só desejar e ganhar como foi na infância e adolescência) e fazer acontecer: essa é a característica que faltou ser estimulada e desenvolvida, na maioria das vezes, nesse homens e mulheres"      


As mulheres das últimas três décadas tiveram e têm muita energia de superação: cuidam da casa, educam filhos, estudam, trabalham, e ainda têm se desenvolvido para serem companheiras interessantes, mas muitas ainda estão amadurecendo... cada uma no seu ritmo e no seu tempo. Muitas ainda correm para casa dos pais, quando as dificuldades aparecem em seu casamento e seus problemas são mal resolvidos pois o mecanismo de defesa ( fixação e regressão ) utilizado é fixado na criança superprotegida. Simplesmente busca a proteção dos pais, notada nas mães!

É esperado que o homem ao tornar-se pai, assuma com responsabilidade a missão de criar, sustentar e educar seu filhos. Ele é preparado e educado para iniciar e crescer na vida assumindo responsabilidades: contas a pagar, a família e a realização de metas de sobrevivência e de crescimento.

Desenvolver essa estrutura fazia dele um representante bem criado da masculinidade, pois nem se contava tanto com a possibilidade homossexual. Mas, independente da orientação homo ou heterossexual, esse filho estava pronto para assumir a própria vida e até no futuro auxiliar os pais que envelheceriam.

Mas os tempos de fartura e a melhora de condições de vida provocaram muitas mudanças nas famílias de classe média e media alta. Mudanças nem sempre positivas, pois hoje colhemos frutos nada saudáveis dessa fartura em muitas famílias e na estrutura psicossocial e sexual de muitos filhos.

Muitas famílias no desejo de desempenhar uma excelente paternidade e demonstrar amor, se autoafirmavam socialmente oferecendo o melhor a seus filhos, sem estabelecer para eles uma relação custo-beneficio. Ou seja, sem criar condições para que os ‘presentes’, ’prêmios’ ou ‘benefícios’ fossem adquiridos.

Em muitos desses casos, esses pais também não impunham condições, não davam para esses filhos a responsabilidade e referência de cuidar bem e preservar suas "conquistas". Isso estimulava a visão de que tudo poderia ser adquirido sem muito esforço ou sacrifício e que tudo era descartável, ‘se estragar a gente repõe’.

Imagine isso acontecendo com crianças e jovens em pleno mundo de abertura às novas tecnologias: antigamente Atari, depois Playstation, Wii, computadores, tablets... E isso tudo somado a outros mimos oferecidos pelos pais como: moto, carro, roupa de grife, tênis de marca, dinheiro para sair, viajar ... Enfim, um vidão!

Quem não gostaria de ter tanto prazer e regalia?

Mas paralelamente a esse universo, associa-se um outro fator: filhos homens, muito mais estimulados a atividades físicas - esportes de lazer e não com espírito competitivo ou de dedicação – são pouco estimulados a atividades que exijam foco e concentração. Isso pode fazer com que prazeres imediatos e que exijam pouca determinação e dedicação sejam o foco de suas atividades.

E os estudos?

Alguns filhos com mais habilidades intelectuais podem seguir bem, talvez abaixo do seu potencial real, mas seguem. Outros com algum tipo de dificuldade ou com menos facilidades podem desistir de estudar ou ir para um colégio mais fácil, faculdades menos puxadas, sempre fugindo frente às dificuldades ou minimizando as possíveis concorrências.

Esses pais também costumavam (e costumam) impor poucos limites, notas, desempenho, continuidade... Isso poderia significar que seu filho não era tão bom e pais que têm medo de não serem amados costumam exigir menos.

E aí como fica a vida adulta desses filhos(as) ‘superprotegidos(as)’?
Afinal, eles foram criados com seus desejos facilmente atendidos, com poucos estímulos para conquistas e com a sensação de que seus desejos se transformavam em uma ordem magicamente realizada.

Quem vivenciou todas as condições mencionadas pode se tornar um adulto com baixa autoconfiança, imaturo(a) para as competências e concorrências que a vida exigirá dele(a). Às vezes um ‘reclamão’ que se sente injustiçado, ou que nunca tem maturidade para levar adiante um negócio, um emprego. Eles proclamam ao mundo o quanto os outros sempre são traiçoeiros, injustos e exigentes. Fica à espera de ser bem tratado, ajudado, e quando isso não ocorre, vive o papel de vítimas, de coitados.

Determinação e competência para planejar (não só desejar e ganhar como foi na infância e adolescência) e fazer acontecer: essa é a característica que faltou ser estimulada e desenvolvida, na maioria das vezes, nesse homem e mulheres.

No caso especial do homem, sexualmente podem se tornar homens inseguros e até desenvolver dificuldade de ereção. Homens inseguros, ansiosos e temerosos têm mais chances de desenvolver quadros secundários de ejaculação precoce; outros podem desenvolver fetiches ou fantasias sadomasoquistas. Desenvolver segurança e autoconfiança para o sexo também requer a sensação de: “eu sou capaz!”

Afetivamente esses homens vivem com frequência o papel do ‘bonzinho’, são carinhosos, divertidos, ‘prestativos’ e atenciosos. Dificilmente conquistarão mulheres que exijam deles uma atitude pró-ativa. Mulheres competitivas ou impetuosas não conseguem conviver muito tempo com esse homem ‘bonzinho’, mas pouco pró-ativo.

Mas como vivem poucos sucessos, cativam em algumas pessoas o afeto filial de: ‘o cara que não tem muita sorte e que precisa ser ajudado, apoiado’.

Poucos avaliam a inconsistência da maioria de suas atitudes pró-ativas na vida e no trabalho, ou suas eternas atitudes de ‘espera’: espera de um bom emprego/salário, espera de um bom negócio, espera de bons clientes, espera de apoio familiar, espera da ‘Mega Sena’, espera da sorte...

Na profissão?

Após uma sequência de insucessos no trabalho, adultos que foram superprotegidos podem se tornar depressivos, derrotistas, ou podem se tornar adultos que se acomodam no papel de vítima, e mais que acomodados, alguns não admitem adequar seu padrão de vida ao seu ganho, pois na sua imaturidade e vaidade; merecem ser atendidos nos prazeres, mesmo nunca tendo efetivamente feito coisas no sentido de conquistar esse crescimento.

Muitos passarão a vida como dependentes, dependem da empresa do pai, da mesada, da aposentadoria do pai, dos bens, da herança... E esses pais inutilmente sustentam esses fracos egos com a ilusão de que estão ajudando-os, mas de fato muitas vezes esses pais são reféns de um sentimento de culpa. Eles se questionam onde erraram, mas também acreditam que esse filhos são ‘coitados’ e continuam ajudando, ou melhor, protegendo.

Pais de filhos adultos podem e devem orientar, estimular, apontar caminhos, mas nunca se responsabilizar ou efetuar a conquista (nem pagar a conta!) por eles. Como popularmente se diz, estimule o melhor dele, ensine a pescar, não dê o peixe!

Como romper essa dinâmica incapacitante?

Para nascer é necessário cortar o cordão umbilical, nascer é sofrido, respirar dói, mas é a única forma de entrar no ciclo da vida. Para sair dessas relações dependentes, é necessário sair da acomodação do útero familiar. Enganam-se aqueles que consideram isso ajuda, pois cada filho precisa aprender a viver sua competência e a sobreviver dela.

O prazer, seja de uma conquista sexual, da compra de um bem, da realização de um sonho ou da sensação de conseguir determinada façanha, só tem sentido quando se consegue dizer “Eu consegui”. Há de se sair do conforto de ser ajudado para que a maturidade possa acontecer. Se isso dói? É claro que dói, mas sem viver a dor, não se desfruta o prazer dessa conquista e se vive eternamente na ameaça de não ser capaz!